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Uns dizem que o Mundo acabará num grande fogo, outros afirmam que será num grande gelo”, dizia Robert Frost. O clube nuclear é o mais perigoso do Mundo, mas não cessa de aumentar.

O Paquistão por exemplo, está a construir um novo reactor nuclear, em Khushab (Sudoeste de Islamabad), capaz de produzir 40 a 50 ogivas atómicas no espaço de um ano. Islamabad acaba ainda de testar o foguetão Haft III, com 290 quilómetros de alcance. Quanto à Índia, seu ex-inimigo e permanente rival (agora com combustível nuclear americano), moderniza o seu arsenal atómico e poderia hoje disparar mísseis da superfície e do fundo do mar, a partir de submarinos silenciosos.

A China continua a aperfeiçoar as suas armas de ‘dissuasão’, Israel tem uma reserva não declarada de munições de ‘juízo final’, os EUA e a Rússia mantêm frotas importantes (sempre actualizadas) de vectores estratégicos e, na União Europeia, França e Reino Unido decidiram continuar com este tipo de sistemas, hoje mais pequenos mas mais sofisticados.

A Coreia do Norte põe-se também em bicos dos pés, mas a sua arma pode ser negligenciável.

O CLUBE NUCLEAR (2)

Por outro lado, de Moscovo continuam a chegar notícias alarmantes sobre a existência de um “grupo empresarial criminoso, com acesso a tecnologia nuclear”, que estaria por detrás do ‘ajuste de contas’ com Litvinenko.

Quando a Polícia alemã começou a deter traficantes de plutónio, no início dos anos 90, todos acharam que eram excepções à regra do não contrabando. O ex-militante da al-Qaeda Jamal al Fadl confessou ao FBI que a organização tentou comprar um contentor nuclear, no Sudão, originário da África do Sul. E o FSB russo, antigo empregador de Litvinenko, várias vezes indicou que os grupos marginais tchetchenos se preparavam para detonar bombas nucleares ‘sujas’ no centro de Moscovo.

Se esta não é a maior ameaça à Humanidade, o que é? E onde estão os prometidos cortes das grandes potências, em arsenais que destruiriam o Planeta várias vezes (a primeira chega)?

A espada de Dâmocles continua sobre a garganta dos nossos filhos.

A OUTRA DAMA DE FERRO

Conheci Jeane Kirkpatrick no fim dos anos 80. Jantámos na Rua das Portas de Santo Antão, enquanto a filha pedia para assistir a um concerto ‘metálico’ no Coliseu.

Eu tinha vindo da URSS e discutimos toda a noite a necessidade de, acima, ou para além dos regimes, falar com as pessoas e com a ‘sociedade civil’ dos nossos (ex) inimigos. Vi-lhe um brilho nos olhos quando se lembrou o que progredimos em humanidade, desde a escura descrição de um campo de morte psíquica, no admirável ‘Primeiro Círculo’, de Solejnitsine.

Ex-democrata tornada republicana, diplomata na ONU, conselheira para assuntos de segurança, Kirkpatrick teve de administrar muitas crises paradoxais e foi uma das mais lúcidas e realistas vozes da administração Reagan.

Morreu anteontem, e faz muita falta.

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