As ditaduras, de esquerda ou direita, tenderam sempre a legitimar-se, não pelas leis nem sequer pelas ideologias, mas pelo carisma dos respetivos fundadores.
Na América Latina atual, destacam-se dois regimes populistas que ilustram esse modelo: Cuba e Venezuela.
A relação fraterna entre ambos é de proveito mútuo: Cuba fornece o modelo de poder; a Venezuela dá a ajuda financeira sem a qual o ‘fidelismo’ já teria ruído.
Contudo, a força deste tipo de regimes torna-se rapidamente fraqueza com a morte dos líderes tutelares.
Daí o recurso à mumificação: procura-se dessa forma perpetuar o carisma dos defuntos, transformados, mediante esse exercício delirante, em deuses laicos para culto das massas.
Infelizmente, as múmias não governam nem legitimam os sucessores. Nicolás Maduro, herdeiro designado de Chávez e presumível vencedor das presidenciais de abril, viverá talvez um ano na sombra de Chávez. Depois, adivinha-se o caos.
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