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O FC Porto-clube conquistou o campeonato em grande estilo e com inteiro merecimento. Foi o primeiro título para José Mourinho, o grande responsável pela empreitada que, no espaço de um ano, transformou uma equipa descaracterizada numa espécie de Orquestra do Brilho da Felicidade & da Glória. Mourinho arrisca-se a ganhar mais dois títulos – a Taça de Portugal e a Taça UEFA – o que lhe permitirá coser de vez a boca de todos os que lhe apoucaram a competência, o currículo (’tradutor’ e ‘adjunto’?) e a personalidade. É claro que Mourinho é um homem vaidoso, mas também é claro que entre os seus maiores críticos contam-se alguns colegas treinadores de vistas curtas condenados a substituírem-se uns aos outros em clubes de vistas curtas.

Brilhante no plano interno, o FC Porto nem precisa de esperar pela próxima Liga dos Campeões para legitimar uma das equipas mais convincentes do seu historial: a consagração internacional pode acontecer já em Sevilha. Foi igualmente o primeiro campeonato para a administração da FC Porto, SAD que, ao fim de três anos a gerir mal e a acumular défices cada vez mais vermelhos, pode finalmente apresentar um resultado positivo aos accionistas. Pinto da Costa, o presidente do FC Porto-clube e da SAD, respira de alívio e deve ter celebrado o seu 12.º campeonato em 21 anos como se fosse o primeiro. E como o FC Porto tem de ganhar sempre contra alguém, nem falta Rui Rio para fazer de bruxa má. O velho dragão deve a ‘ressurreição’ a Mourinho e prepara-se para engatilhar o discurso de sempre, tão certo como a Imprensa ir continuar a fazer manchetes pírricas com o segundo lugar do Benfica. Por falar nisso, mais uma imensa frustração para os seis milhões que alegadamente consomem as tais parangonas gloriosas. Ao fim de uma semana de ‘agora é que é’? não foi. O clube encarnado voltou a mostrar inquietante falta de estofo e de classe perante um adversário encorpado (primeiro com o Porto, agora com o Sporting) e recebeu nova ensinadela. Sim, dada por Bölöni. Não se brinca com um campeão deposto e o Benfica tem boas razões para acalmar a euforia: perdeu em casa com os dois grandes rivais, ainda não assegurou a continuidade de Camacho e não é líquido, mesmo com Camacho, que esteja em condições de lutar pelo próximo título e qualificar-se para a Liga dos Campeões. As pessoas falam do Benfica na Liga dos Campeões como se fosse um dado adquirido mas é preciso primeiro ultrapassar a 3.ª eliminatória de qualificação, onde não há adversários como os ‘Setúbais’, os ‘Beira-Mares’ e as ‘Académicas’ desta vida.

Três notas deprimentes sobre o ‘derby’: a miserável moscambilha que foi a ausência de Jardel (mas alguém acredita neste futebol de vão de escada?), a absurda falta de juízo de João Pinto - homem, não lhe chega? - e as madurezas dessa prima dona patética chamada Zahovic. A camisola 10 do Benfica está de facto muito mal entregue mas disso não tem o esloveno culpa alguma. Talvez o regresso do menino Roger apresse o que tem de ser.

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