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O passismo ideológico é um amargo cocktail de barman amador de académicos à moda de Chicago, populismo local tipo Tea Party e elitismo nacionalista desconfiado da bagunça democrática. A mistura das leituras ligeiras de Passos com o chico-espertismo pragmático de Relvas criou a ilusão da missão revolucionária que, pela mão dos pensadores Gaspar e Borges, transformaria uma pequena economia desde os Descobrimentos dependente do exterior e do Estado num modelo de estudo de engenharia social liberal.

Ao fim de um ano, a recessão, o desemprego e as receitas fiscais desobedecem ao criador e a rua ameaça tornar irrelevante a paz social garantida pela oposição oficial. O PREC de direita está a passar pelo seu Verão quente mas sem 25 de Novembro à vista.

Perdido o Norte, vamos já na segunda falsa partida orçamental, primeiro a TSU e depois o tsunami fiscal, com a amarga ironia de um Governo de obsessão liberal a bater os recordes de ritmo de crescimento da dívida pública (finalmente acima da Itália..), de impostos (com taxas marginais nórdicas...) e de destruição de empresas superior à do gonçalvismo.

O delírio indígena acaba de ser denunciado pelos tutores, com a Comissão Europeia a dizer que a carga fiscal tem de ser justa e o Fiscal Monitor do FMI a comprovar a análise da UTAO. Portugal foi o país da Zona Euro que mais cortou salários, e os cortes na despesa foram em 70% no bolso de funcionários e reformados sujeitos ao maior tratamento à obesidade de sempre.

No dia 15, com a apresentação do OE, veremos como o Governo usa uma rara terceira oportunidade (tipo salto à vara...), se há espaço para a esperança ou se tropeça de vez em Dia de Juízo Final.

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