"Será que temos assim tantos turistas sexuais em Portugal?", inquiriu, ao que o então presidente da TAP nada respondeu. A ‘razão de Estado’ impunha aquela ligação aérea entre Portugal e o que restava do Império, a qualquer custo, ainda que os milhões (então aferidos em escudos) de prejuízos fossem caindo com estrondo nas contas da empresa.
Decorreram 16 anos e a TAP passou a ter uma gestão mais profissional desde que Fernando Pinto foi recrutado pela (já extinta) Swissair, e por Lisboa ficou quando essa tentativa de privatizar a companhia de bandeira caiu por terra. Já não existe a rota Lisboa-Macau, pois não é preciso disfarçar o quão faraónica foi a edificação do aeroporto da Taipa, e a frota de longo curso assegura uma posição invejável nas rotas do Atlântico Sul. Porém, continua a somar prejuízo e viu ‘borregar’ uma nova tentativa de privatização. Falta decidir se a TAP é uma empresa ou um símbolo. Às primeiras, exige-se que não percam sempre dinheiro.
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Por Carlos Rodrigues
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