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Politicamente correcto é como os desfiles de moda. Sempre que se exibe (e é um exibicionista compulsivo…) o politicamente correcto vem de fatiota nova.

Persegue-nos 24 horas por dia onde quer que estejamos, mas nunca quer ser reconhecido.

Com esta história dos ‘cartoons’ o politicamente correcto, esse ditador da palavra repetida e de todos os disfarces, mais uma vez tenta impor a sua tirania. Já escolheu as palavras, os ‘slogans’ e os alvos. Vocifera. Por vezes, acreditando ter graça, via mais fácil para evitar ser repudiado, insinua uma tentativa de humor de muito pior gosto que o dos ‘cartoonistas’. Mas, apenas, insulta. Seu verdadeiro objectivo.

Exibe uma exuberante e gratuita valentia verbal. Porque não tem outra. E, sobretudo, é monocórdico e pouco inteligente.

Para os adeptos do politicamente correcto, não há dúvidas. Nem ‘mas’. Nem ‘senãos’. Só há certezas. Todas as questões são simples. Todas as soluções são óbvias. Todos os discursos são unânimes e repetitivos. O que, convenhamos, acaba por ser confrangedor. O politicamente correcto é, para os seus prestimosos militantes, um modo de vida. Mas sempre uma fraude.

O respectivo breviário, no caso do ‘cartoons’, resume-se assim:

Em 1.º lugar, com grande destaque, impõe-se aquilo que é a grande moda. Bater todos os dias em Freitas do Amaral, que, como sabemos, não teve a ‘coragem’ para mandar imprimir e distribuir no Rossio, no Marquês, no Cais do Sodré e nas estações fluviais e do Metro, ‘t-shirts’ com os ‘cartoons’ nelas impressos. Grande falha pessoal, política e de falta de valentia.

Bater em Freitas do Amaral é ‘must’. Quem não o fizer não é bom chefe de família.

Depois, há, ainda, que ignorar que o repúdio da violência é a reacção normal de qualquer cidadão não violento e denunciar todos quantos não repudiem pelo menos duas vezes ao dia, alto e bom som, a violência das reacções aos ‘cartoons’. Para o discurso ser mais correcto deve omitir-se a mínima referência (zero!!!) a qualquer outra forma de violência. Fingir que elas não existem. Ignorar a realidade.

Curioso como numa sociedade que convive com extremos de violência, sem que isso incomode ninguém, aparecem periodicamente uns falsos campeões da antiviolência que rapidamente voltam a desaparecer, com uns episódios seleccionados com duvidosos critérios, para dar livre curso aos seus falsos devaneios e pregações.

O breviário impõe, também, que gritemos em uníssono o nosso grande amor à liberdade de expressão, seja lá isso o que for, e que não permitiremos que ninguém a ameace , queimando fotografias, jornais, bonecos, bandeiras ou embaixadas. Tudo quanto se diga dos ‘cartoons’ que não seja para louvar a extraordinária coragem da sua publicação deve ser considerado como um nojento, traiçoeiro e vil ataque à liberdade de expressão. E fim da conversa.

E sobretudo não nos esquecermos de, parafraseando John Kennedy em Berlim, gritar todos os dias, ao levantar e ao deitar, que “somos todos Dinamarqueses”. Esta, além do mais, é bonita, mostra cultura de almanaque e não custa nada.

É tão simples ser politicamente correcto!

Digo, como o outro: “Que alguém me livrasse do amor próprio e me tirasse a vergonha e iam ver como eu era politicamente correcto”…

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