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Obrigaram-me. Perversamente gostei. Continuei. A comer conquilhas e amêijoas que não visitavam as inexistentes depuradoras. A mastigar figos, secos ao sol em esteiras de cana, cozidos em forno de lenha não certificado. A nutrir--me de peixe fresco, pescado à linha, sem a mínima preocupação pela saúde e bem-estar psicológico do peixe. A alimentar-me, sem remorso, de cabidela, da galinha que via degolar no quintal, com infinito cuidado, não fosse perder um pingo de sangue.

Hoje, se quiser maltratar até à morte o meu estimado peru de Natal, tenho de ir, com guia de marcha, passear com ele em carro refrigerado até Loulé, ao único Matadouro regional. Ou a Beja, se aquele estiver encerrado, de novo, por “pássaros no tecto” e falta de “higiene e asseio”.

Vamos morrer todos bem alimentados. Puros e certificados. Mas confesso a saudade de algumas bacteriazinhas. Ou de um grito lancinante na hora da morte de porco.

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