A que há é histórica: telefilmes ou mini-séries feitos no centenário da República; um seriado preferindo Salazar na cama a Salazar na cadeira do poder; ‘Equador’, situado no final da monarquia; ‘Jóia de África’, revivendo o "bom" colonialismo; e, agora, ‘Depois do Adeus’. Inscrita na política actual, só conheço um telefilme da RTP em 2003. O único crítico que lhe ligou achou-o descabido. Achei estranho, pois ninguém acha descabidas as estórias doidas de séries como ‘24’ ou ‘Homeland’. Há um medo enraizado e um atavismo que impedem os criadores de pegar de caras o touro da política. ‘Depois do Adeus’ trata dum tema com quase 40 anos. Há livros recentes sobre o assunto. Destino nosso: a ficção só aborda a política quando a vê serenada nos arquivos.
A vinda dos "retornados", a maior e mais rápida vaga de imigração num país de emigrantes, chocou pela diferença e marcou o quotidiano, mas, em pleno PREC, a opinião pública não a pôs na ribalta. ‘Depois do Adeus’ faz justiça ao tempo e à realidade de retornados e refugiados. A boa inserção dos actores em imagens históricas de Luanda e Lisboa cria ambiente e compreensão histórica. Adereços, roupas e cenários respeitam cuidadosamente o tempo. A série assume quase tão-só o ponto de vista dos refugiados, a quem dá voz pela primeira vez na ficção em horário nobre. Para mostrar a convulsão política, eis operários do PCP e meninos burgueses do MRPP. Este movimento maoista entra em definitivo no mito dos anos revolucionários, apenas pela sua absoluta inserção num universo iconólatra, de adoração de imagens, e altamente retórico e metafórico, comunicando, também nas palavras, por imagens. Não interessa o que fazia, só os seus cartazes, murais, slogans bombásticos e comunicados palavrosos.
Três aspectos prejudicam uma série histórica que podia entrar na história: alguns cenários mais mal amanhados e iluminados do que telenovelas: o arrastar das situações, que ora resultam da rentabilização de meios em cenas sucessivas, ora da falta da imaginação para inscrever as personagens em intrigas mais complexas; e, paradoxalmente, a vontade do argumento em ser realista – tão realista na recriação de cenas reais vividas em Lisboa que acaba por querer ser documento histórico mais do que ficção baseada na realidade, empobrecendo intriga e personagens.
A VER VAMOS
ENSINAR PELA TELEVISÃO NÃO É PATERNALISMO: É SERVIÇO BOM
O serviço público vai abandonando pelo mundo fora uma das missões iniciais: ensinar. Seria paternalista, diz o argumento populista em alta. Não é nada, excepto se educar nas escolas também o for. Encontro no cabo o potencial educativo da TV: Museum Pure Screens HD, dois canais, em inglês e francês (também na web). Modelo simples e barato: mostra obras de arte, em especial quadros. Mostra, simplesmente mostra, sem malabarismos, em longos planos fixos. Nuns programas amplia detalhes, enquanto explica e dá o contexto; noutros, menos conseguidos, junta quadros e música, mas a arte permanece. E aprende-se – a ver televisão, agradável, sem pseudo-entretenimento. Eu aprendo, sem sentir qualquer paternalismo.
JÁ AGORA
AUTOPROMOÇÃO À NOSSA CUSTA
O presidente da RTP anda em campanha pessoal de marketing: intromete-se nos programas da RTP 1, onde bota palavra, enquanto manda calar os trabalhadores em norma de serviço fasciszante; pede "ajuda" à sociedade civil para melhorar a "gestão" da RTP, enquanto acaba com a produção externa da sociedade civil. Não é presidente da RTP, é presidente de si mesmo.
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