Os motivos que levam alguém a cometer um crime podem ser os mais variados. A pessoa pode fazê-lo por razões ligadas à toxicodependência, a uma certa imbecilidade ou porque num determinado dia fez um grande disparate.
Aqui há uns anos, em Setúbal passou-se um episódio curioso.
A entrada de droga nas cadeias tem vindo a ser dificultada. De modo que um preso resolveu sair, galgando o muro do estabelecimento prisional. Ninguém deu por nada.
O recluso queria só ir a um conhecido bairro ali perto, comprar umas doses de heroína. Abasteceu-se e regressou à cadeia. Esteve em liberdade durante cerca de meia hora. Voltou a subir o muro, desta vez para entrar no interior do pátio. Quando se dirigia à cela, um guarda detectou-o. Desatou a correr atrás do preso, enquanto ele acelerava o passo. Não deixou de cometer o crime de evasão.
Um homem com uma obsessão qualquer passava a vida a assaltar apartamentos. Deslocava-se de bicicleta. O curioso é que apenas levava consigo peças de ‘lingerie’ feminina.
Outra pessoa entretinha-se a furtar pombos-correios. Estas aves atingem valores elevados, podendo cada uma custar mais de mil euros. Mas o homem não as negociava nem as comia. Apenas conservava os pombos numa gaiola. Capturava-os com recurso a armadilhas. Junto a estas, colocava recipientes com água. Os animais, fatigados após voarem quilómetros sem parar, descansavam e acabavam por ser apanhados.
Foi fácil identificar os respectivos donos. Cada um dos pombos tem uma anilha com um número de registo. A Federação Portuguesa de Columbofilia forneceu a identidade dos proprietários.
Eu teria uns oito anos de idade. Mas recordo perfeitamente aquele dia em que entrei no nosso apartamento de férias, em Sesimbra.
Tinha sido assaltado. O ladrão não tinha levado nada. Limitara-se a quebrar as loiças da casa de banho.
Era claramente alguém dominado por um ataque de fúria.
Um dos vizinhos tinha-o visto a sair pela janela da casa de banho.
Era um jovem também vizinho de férias. Uns dias antes, ele havia pedido namoro a uma das minhas irmãs. Tinha um anel para lhe oferecer. Ela recusou.
A vingança foi aquela.
Os pais dele prontificaram-se a pagar as despesas com os estragos e ficou tudo por ali.
Muito mais complicados são os casos de cleptomania.
Um primo meu tinha um vizinho que padecia desta terrível compulsão. Naquela altura, era comum o padeiro deslocar-se ao domicílio e deixar à porta um saco com a encomenda matinal de pão. Já sabia quantas carcaças deveria colocar em cada residência. Ao levantarem-se, as pessoas abriam a porta e recolhiam o saco, que ficava amarrado ao puxador.
O meu primo habitava um prédio com vinte e dois condóminos.
Este vizinho era pessoa culta e sem qualquer tipo de dificuldades económicas. Mas tinha aquele especial prazer.
Levantava-se de madrugada. Mal o padeiro terminava a distribuição, ele saía de casa e de cada saco retirava uma carcaça. Já tinha pão para o pequeno-almoço.
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Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.