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O acontecimento de 2006 não o foi. Se bem me lembro, estava previsto o mundo ser tomado pela gripe das aves, uma calamidade sem precedentes que ceifaria, de acordo com cenários científicos, 50, 150 ou 350 milhões de vidas, muitas delas aqui na Europa. Contas feitas, talvez se tenha incorrido em certo exagero: de 2003 até hoje, o dito vírus matou uma centena de pessoas. E no Ocidente, que eu saiba, não provocou vítimas excepto pelo ocasional passarito.

Já fora assim com as demais calamidades sem precedentes que regularmente nos atemorizam. A doença das ‘vacas loucas’, a pneumonia atípica e, em menor escala, os nitrofuranos também seriam inevitavelmente responsáveis por chacinas várias, as quais ainda aguardamos com expectativa.

Os europeus adoram perigos difusos e irracionais. Curiosamente, ligam muito menos aos perigos reais. A mítica gripe das aves, que não maça ninguém, fez os estados da União armarem-se com entusiasmo: criaram-se comissões, distribuíram-se toneladas de propaganda e queimaram-se fortunas na aquisição de vacinas sem préstimo à vista. Mas os palpáveis avanços do radicalismo islâmico, no fundo a única ameaça que nos devia preocupar, merecem da Europa uma hospitalidade notável.

2006, afinal, foi o ano em que nos pusemos definitivamente de cócoras perante a selvajaria religiosa, a pretexto do diálogo ecuménico. Um diálogo, aliás, peculiar: eles gritam, nós ouvimos e compreendemos. E cedemos.

Em 2006, uns desenhos do Profeta num jornal dinamarquês levaram a ‘rua árabe’ ao habitual frenesim de ódio e inúmeros políticos europeus a apresentar demoradas desculpas.

Em 2006, a ex-deputada holandesa Hirsi Ali, célebre por não venerar devidamente o Profeta, exilou-se nos EUA após perder na Justiça a casa e a cidadania.

Em 2006, a encenação de uma ópera de Mozart, alegadamente desagradável para com o Profeta, foi suspensa em Berlim por receio de blasfémia e de atentados.

Em 2006, um discurso erudito do Papa acerca do belicismo do Profeta suscitou a análise de milhões de muçulmanos analfabetos, o recorrente berreiro público e tristes circunflexões do próprio Vaticano. Em 2006, uma coluna de opinião no ‘Le Figaro’, que insultava o Profeta, forçou o respectivo autor a descer à clandestinidade.

Em 2006, uma galeria de Whitechapel, Londres, retirou uma exposição de nus porque ofendia os seguidores do Profeta que habitam a zona.

E, em 2006, o respeito pelo Profeta impediu, de Saragoça a Birmingham, diversas celebrações natalícias.

Para os europeus e para Maomé, tratou-se, portanto, de um ano em cheio. E melhor virá. Nada na Europa, entre o vasto consenso que une a generalidade da Esquerda, certa Direita e boa parte dos ‘moderados’ sobre as mesuras a dedicar ao totalitarismo islamita, nos previne contra a sua disseminação interna.

A impotência política abre o caminho, a demografia e a crescente (e imperturbável) endoutrinação das novas gerações de muçulmanos farão o resto. É questão de tempo.

Até lá, brincamos às catástrofes e, enquanto o álcool não for abolido por observância às regras do Profeta, brindamos a que 2007 nos abençoe com pandemias inéditas. Sempre distraem da verdadeira doença.

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