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O prólogo de ‘Família Superstar’ é enigmático, como num thriller de Hollywood: Bárbara Guimarães numa limusina, a falar ao telefone. Uma limusina é um dos habitats naturais de BG (outros: uma concha, como a que Vénus nasceu; ou as muralhas de Tróia, donde Helena assistiu à pancadaria que desencadeou; ou, como Beatriz, o Paraíso, levando Dante pela trela). Esta Bárbara é mais civilizada do que o século de Péricles inteirinho. Ao pé dela, somos todos Atila, o Huno. Classe e simpatia no pedigree Audrey Hepburn (só que muito mais escultural). Quando a gizou, o Criador andava obviamente com a mania das grandezas e numa de exibicionismo – assim como é óbvio que Manuel Maria Carrilho nasceu com o rabo virado para a Lua. Ok, confesso: estou ‘montecchiamente’ apaixonado por ela. Mas é um amor escrupulosamente platónico, como o do trovador pela sua Dama.

O programa? Ameaçam-no o cromado das superproduções, mas o casal de factótums de BG vacinam o novo-riquismo com uma mordacidade tácita. Embora nem sempre regulada: escusam de perguntar 500 vezes a TODOS os transeuntes se eles sabem cantar. O júri é draconiano. Não há abébias para ninguém. Salvo os Anjos, mas esses seres emplumados são filantrópicos por definição. Não precisam é de pedir perdão por cada lágrima no canto do olho: hoje, é já um consenso que só por mariquice os homens não choram. E houve pelo menos um caso tocante: o do pai e filha algarvios (qual deles o mais cabeludo). Aí eu próprio chorei tanto que nos meus olhos podia jogar-se pólo aquático. Atenção: (ai, Lúcia Moniz!) não se diz ‘júri’ para o indivíduo: é ‘jurado’ (júri é o colectivo, como a colmeia para as abelhas). Os candidatos foram ao Oceanário vender o seu peixe. Julguei que as amígdalas de cana rachada seriam lançadas aos tubarões – mas era uma quimera minha. Há famílias tão criminosamente esganiçadas que, comparadas com elas, os Bórgias eram uns santinhos.

A montagem começa algo esbaforida, para injectar uma vivacidade às vezes postiça. Aliás, um equívoco desses programas é que toda a gente é obrigada a se mostrar radiante, numa felicidade à beira da apoplexia. Mas a realização acaba por calibrar o ritmo. As ‘janelas’ simultâneas funcionam bem, assim como a alternância entre os concorrentes bons (ou promissores) e os maus (mas variados e burlescos). Única bola preta: a parcimónia na participação de BG. Como foi frugal a aparição dela, tipo ração de combate! O que é um crime – já nem digo de lesa-majestade, mas de lesa-humanidade. Snif, snif…

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