O início do julgamento do caso BES/GES é uma continuação do ano de 2014, que ainda não acabou. É como se o tempo estivesse suspenso desde os casos de Sócrates e de Salgado.
Desde a queda da PT às mãos de interesses económicos e políticos. Desde uma sucessão diabólica de escândalos financeiros, entrelaçados, que mostrou a corrupção como um problema endémico. Mostrou um ‘sistema’ de poder e negócios assente na distribuição de dinheiro, empregos, cunhas, benesses diversas, criando um regime de cumplicidade que atravessa partidos e instituições centrais do regime. E que vem de longe, das décadas de 80 e 90, em que foram construídas as ligações mais perenes entre gente dos partidos e dos negócios.
Salgado é a figura maior desse ‘sistema’. Encontrou em Sócrates uma alma gémea, mas o processo ‘Portucale’ já mostrara como o banqueiro mandava em grande parte do Governo de Durão Barroso. Num País onde não avultam elites com um espírito de censura social a este tipo de práticas, é bom que esse ‘sistema’ chegue a sentar-se no banco dos réus. Mesmo com atraso e nem que seja para a história.
Para que fiquemos a saber, pelo menos, que Salgado também era o patrão de alguns dos legisladores que foram neutralizando a Justiça e criaram o emaranhado de garantias da impunidade ainda vigente.
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