Volodymyr Zelensky demitiu a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova e o chefe da secreta, Ivan Bakanov, por “desempenho inadequado”, que é como quem diz ‘colaboração com o invasor russo’.A saída de Venediktova não dissipa essas dúvidas.
É a maior limpeza de altos quadros da administração desde o início da guerra. As razões para afastar Bakanov são conhecidas. O Presidente culpa-o por não ter antecipado a ofensiva russa que apanhou Kiev de surpresa. Já as razões para despedir Venediktova são menos claras.
A procuradora tinha em mãos as investigações às atrocidades contra civis denunciadas por Zelensky em Bucha e Irpin, atribuídas apenas às forças russas que ocuparam as duas cidades junto à capital.
Aqui chegados, convém recordar que a narrativa ucraniana sobre o que aconteceu naqueles lugares martirizados nem sempre convenceu todos os jornalistas estrangeiros presentes em Kiev.
As limitações impostas à circulação da imprensa, até ao Governo de Zelensky preparar o terreno para o mostrar ao Mundo, indiciou um condicionalismo inaceitável à recolha livre de testemunhos sobre o que ali aconteceu.
A saída de Venediktova não dissipa essas dúvidas.
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