Uma semana depois da chegada do comboio de tempestades, o panorama persiste devastador. Milhares de portugueses sem luz, sem telhados, sem casas, sem comunicações, praticamente sem Governo. Sem um Governo capaz na ação e na sensibilidade social. Se há traços de união entre a crise dos incêndios e esta, eles estão na falência de um Estado mal dirigido, recheado de chefes, com poucos índios, como se vê no universo da Proteção Civil, partidarizado até aos porteiros. Também num Estado que privatizou sem critério serviços públicos essenciais. Como se tem visto na ex-PT ou na EDP, onde os fornecedores são, muitas vezes, escolhidos sem atender ao interesse público, tão só ao dos acionistas e parceiros de negociatas. O que está aqui em causa, não é apenas um Governo que falhou na previsão, na prevenção e na ação. Não é apenas a desinformação produzida por ministros patetas ou a tolice dos que instam as vítimas da intempérie a usar um salário magro, ou inexistente, nesta altura, para enfrentarem os problemas. Não, o que está aqui em causa é, sobretudo, a completa falta de empatia e de sensibilidade social, que esvazia a política da sua necessária utilidade para servir o País e os portugueses. E neste item, este Governo chumba em toda a linha.
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Se há coisa que o Governo mostra, é uma total insensibilidade.
A velha lógica clientelar que comprou o SIRESP continua a matar hoje.
A frase do primeiro-ministro sobre os que perderam a vida é infeliz.
Então não é que num cenário de guerra o Exército ficou nos quartéis?!
Responsabilidade política não pode ser só uma folha seca ao sabor do vento.
A forma como as populações ficaram entregues à sua sorte, mostra o estado frágil do Estado que temos.