Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoNão surpreende que os grandes jornais franceses tenham dado tanto destaque à morte de Linda de Suza. Em terras gaulesas já era considerada cantora popular francesa de origem lusitana. Francesa como as centenas de milhares de portugueses e lusodescendentes, que não esquecem a terra ancestral, apesar de bem integrados no país que os acolheu.
Linda de Suza é o maior ícone dessa grande odisseia portuguesa do século XX, a emigração para a Europa. Gente que nasceu num país pobre, mas que nos anos de 1960 seguiu o sonho de ganhar a vida para além dos Pirenéus.
O poder político e mediático de Lisboa não tem a perfeita noção do que representou esse êxodo. Centenas de milhares de beirões, transmontanos, minhotos, durienses, ribatejanos e em menor escala alentejanos e algarvios, seguiram a ‘salto’, clandestinos, o caminho rumo ao sonho. Sofreram, trabalharam, muitos começaram em bairros de lata, mas a grande maioria tem histórias de sucesso e de superação para contar.
E o hino dessa odisseia é a ‘Mala de Cartão’, cantado por uma alentejana que nasceu pobre, sofreu nos subúrbios de Lisboa, mas acabou por triunfar em Paris. Não teve sabedoria para se manter na ribalta nas últimas décadas, mas o seu legado de porta-bandeira dessa diáspora, tal como foi Joaquim Agostinho, é algo que Portugal deve a Linda de Suza.
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