Um grupo numeroso de homens e mulheres que tínhamos por agentes de segurança pública resolveu revelar-se e constituir-se numa ameaça ao Estado de direito, tentando, por essa via, fazer refém um Governo de gestão que, como deveriam saber os revoltosos, tem poderes condicionados. Não é obra do acaso: o protesto dos polícias até será justo, mas não é – no tempo e no modo – nem inorgânico nem apolítico.
A decisão anunciada ontem pelo ministro da Administração Interna de participar ao Ministério Público “todos os novos indícios de incitamento à insubordinação, a sua prática e eventual ligação a movimentos extremistas, praticados pelas forças policiais” só peca por tardia. Há muito que se sabe que as forças policiais estão infiltradas por quem, por exemplo nas redes sociais, não esconde pensamentos racistas ou xenófobos e simpatia salazarenta ou pelos seus descendentes ideológicos a quem servirão ameaças às eleições. Mas será injusto julgar o todo pela parte.
É certo que o poder executivo já deveria ter encontrado uma solução para as reivindicações destes profissionais antes de se ter tornado um órgão de gestão. Ao não o fazer, foi a gasolina que a fogueira radical, que se aproveita das injustiças nas forças de segurança, precisava para chegarmos ao ponto perigoso em que estamos hoje.
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