O assassinato de Prigozhin destrona a crónica de uma morte anunciada de Gabriel Garcia Marquez. A morte do mercenário russo, chef de Putin, senhor das trevas no mundo da guerra e da morte, estava mais do que anunciada. Prigozhin era um zombie. Morreu há dois meses, quando decidiu humilhar Putin com a sua marcha para Moscovo. Esses foram os dias em que o Grupo Wagner e o seu líder deixaram de ser uma peça incómoda da engrenagem russa apenas para o todo-poderoso ministro da Defesa, Shoigu, particularmente visado nas críticas de Prigozhin sobre o curso da guerra. A marcha para Moscovo transformou-os num complexo problema para Putin e desatou a sua ira de velho capo. É aqui irresistível evocação da colossal investigação jornalística de Catherine Belton. Correspondente do ‘Finantial Times’ na Rússia entre 2007 e 2013, o livro ‘Putin’s People’ é um relato rigoroso da máfia do Kremlin. Conta como foi capturado o sistema judicial, como as eleições e a célebre rotatividade entre Putin e Medvedev representaram a suprema fantochada, como as forças de segurança são a longa mão do sinistro grupo de ex-KGB que domina a Rússia. Como se fundiram com o crime organizado e fizeram de Putin o chefe. Prigozhin teve a veleidade de criar um clã autónomo. Foi executado pelo ‘capo dei capi’. Simples, sem grandes explicações geoestratégicas. Como muitos outros antes dele.
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