O protesto dos bombeiros excedeu os limites aceitáveis num Estado de direito? Talvez. Petardos, tochas de fumo, pneus e fardas a arder nunca são recomendáveis em protestos que pretendem ser sérios. Seja nas escadarias do Parlamento ou numa estrada qualquer. Mas são sinais de descontentamento e de uma certa raiva social a pairar sobre a política que não podem ser ignorados. Um Estado com prioridades bem definidas, deve saber que não pode privilegiar classes profissionais e setores essenciais em detrimento de outros. Deve saber que uma reivindicação satisfeita pontualmente, sem que se olhe para o todo, gera um efeito de cascata no protesto que pode ser brutal. Quando os bombeiros veem a capacidade reivindicativa de polícias, professores, guardas prisionais a funcionar, não se lhes pode pedir que fiquem parados. Quando os bombeiros ouvem os elogios em tempos de aflição, mas silêncios, omissões, palavras ocas em tempos de discutir estatutos profissionais, remuneratórios, não se lhes pode pedir que se calem. Há setores essenciais do Estado que exigem ao poder político racionalidade, integridade negocial, continuidade nas políticas, respeito pela palavra dada. Nisso os bombeiros têm razão. São os parentes pobres deste Estado. Mas não será a incendiar pneus que lá chegarão.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Ventura é um perigo para a democracia que o PSD agora abraça.
A humanidade evoluiu, mas há quem nunca tenha saído da Idade do Gelo.
O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), porém, raramente foi um documento fiável.
O seu melhor trunfo é trabalhar muito bem com os operacionais.
Donald Trump dá sinais de desorientação e não há nada pior que um homem perdido de arma na mão.
O PS vive um desafio de liderança e, sobretudo, de existência.