É quase lugar comum catalogar como “muito complexa” a situação no Médio Oriente, mas quando o conflito envolve drusos, beduínos, sírios e israelitas, podemos referir com elevado grau de rigor que o caso se transforma num problema muitíssimo mais complicado. Ou talvez não. Depende sempre do ponto de vista do observador. Comecemos pelo início: Os drusos, minoritários na Síria, são maioritários em Sweida, cidade nas periferias dos montes Golã, território sírio parcialmente ocupado por Israel. Árabes, os drusos são monoteístas, donos de um ramo do islamismo xiita ismaelita que, por isso, é demonizada pelos muçulmanos mais puristas como, por exemplo, os beduínos sunitas. A esta rutura teológica, acresce a circunstância de, historicamente, os drusos serem politicamente corretos com o poder de turno o que, na Síria, significou um apoio inequívoco à anterior liderança de Bashar al-Assad, como já tinha acontecido no mandato do pai, Hafez al-Assad.
Turbinados pelo novo poder em Damasco, de Ahamed al-Sharaa, um homem com ligações anteriores à al-Qaeda e ao Estado Islâmico, agora elogiado por Donald Trump e tolerado por Israel, os beduínos decidiram investir contra os drusos de Sweida e tentar o controlo da estratégica cidade, supostamente apoiados pelas forças sírias. Acontece que enquanto exibe elegância de fato e gravata pelos corredores do poder no Mundo, Ahamed al-Sharaa é acusado de mandar o exército atacar minorias como os alauitas e os drusos. Terá sido esta circunstância a ditar o apelo druso para que Israel saísse em socorro da minoria drusa, que também habita o norte do Estado Judaico. Benjamin Netanyahu, conhecido por muitos epitáfios, mas não por ser um humanista defensor de maiorias, ajudou prontamente os drusos enquanto bombardeava Damasco, capital de um Estado soberano. Não foi a primeira vez que as Forças de Defesa de Israel atacaram impunemente a Síria nos últimos tempos. Fazem-no, regularmente, com o argumento de destruir focos militarizados do antigo regime de al-Assad. Não é ingénua esta ingerência israelita. Com frentes de guerra abertas em Gaza, na Cisjordânia, no Iémen, no sul do Líbano (onde drusos convivem com a liderança do Hezbollah) e à espera de uma resposta que acreditam poder vir do Irão, Israel precisa dos amigos drusos a mandar em Sweida. Até porque a obsessão expansionista de Netanyahu não negligenciará uma oportunidade de ocupar mais território nos montes Golã onde as forças das Nações Unidas na região assistem a tudo isto inertes.
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