A COP28 no Dubai é, ironicamente, a conferência do clima que deixará a maior pegada de carbono. Com um recorde de 97 mil delegados e 400 mil visitantes, a forte pressão do tráfego aéreo na cidade dos Emirados Árabes Unidos (EAU) justificará a máxima “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”. Não é o único ponto fraco desta edição. Realizada debaixo de uma enorme pressão para rubricar passos concretos na urgente transição dos combustíveis fósseis, a COP28 tem o alto patrocínio de empresas petrolíferas, numa cidade que não é conhecida por ser um exemplo de racionalização energética. É certo que alguns dos maiores produtores de petróleo do Golfo, como a Arábia Saudita ou os EAU, estão a dar passos para reduzir a dependência fóssil, mas o abandono repentino da fonte de riqueza que lhes trouxe invejáveis índices de qualidade de vida implicaria riscos de coesão nacional que não vão obviamente correr.
A encruzilhada em que se encontra o clima não poderia encontrar melhor metáfora que ser debatido numa zona dependente do petróleo para manter a soberania, numa época em que, se a descarbonização demorar, a subida das temperaturas pode tornar regiões – como os EAU – inabitáveis. E é por isso que, muito provavelmente, a meta de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 graus Celsius continuará a ser uma miragem.
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