Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoOs dirigentes políticos com poder na máquina do Estado não são os donos da República, devem ser os zeladores do bem comum. Já não estamos no tempo dos senhores feudais e quem é eleito para os cargos públicos e gere o dinheiro dos nossos impostos deve cumprir as regras da ética republicana. A tentação é grande e como o Estado tem muito poder não faltam casos de quem tenta fazer fortuna à conta da influência. Por isso é importante haver mecanismos de prevenção. E o melhor de todos os mecanismo é a transparência e o escrutínio do património dos políticos e dos seus interesses . Mesmo assim há casos, como os revelados na operação marquês, em que o enorme enriquecimento patrimonial é escondido em 'barrigas de aluguer' e as fortunas são consideradas provas de generosidade extrema de amigos. E também não faltam narrativas ficcionadas de parentes afortunados para esconder o enriquecimento súbito. A corrupção e as más decisões políticas para favorecer interesses particulares saem muito caras, porque geram uma ecologia que favorece os corruptos e afasta os mais capazes. Os cidadãos têm piores serviços com custo mais caro. A corrupção enriquece alguns, mas empobrece o País.
Numa entrevista ao 'Expresso' , Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, defende que as declarações de interesses dos políticos não devem ser públicas. Se isso acontecesse era um passo para mais opacidade. A transparência e o escrutínio dos interesses dos políticos são a melhor salvaguarda da democracia.
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A transparência e o escrutínio dos interesses dos políticos são a melhor salvaguarda da democracia.
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