Chega desafia PSD a dizer se acompanha revisão constitucional

Líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, considerou que o PSD "tem que se definir" e "vai ter que dizer, vai acompanhar ou não o Chega na revisão constitucional".

19 de maio de 2026 às 16:46
Pedro Pinto Foto: Miguel A. Lopes
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O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, desafiou esta terça-feira o PSD a dizer se vai participar no processo de revisão constitucional desencadeado pelo seu partido.

"Este é o momento para o PSD se definir. O que é que o PSD vai fazer?", questionou, afirmando que "há dirigentes do PSD que dizem uma coisa, há outros dirigentes que dizem outra".

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Falando no encerramento das jornadas parlamentares do Chega, em Viseu, o deputado considerou que o PSD "tem que se definir" e "vai ter que dizer, vai acompanhar ou não o Chega na revisão constitucional".

"Se vai ser verdadeiro de centro-direita ou se quer ser de centro-esquerda e entregar-se mais uma vez à esquerda e ao PS", referiu, argumentando que "agora não há dois caminhos".

Pedro Pinto considerou que este é um "período único da História", em que existe "uma larga maioria direita no Parlamento".

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"Podemos fazer uma grande revisão constitucional e esperamos, certamente, que ela seja feita", indicou.

Na sua intervenção, o líder parlamentar indicou que também o Chega está disponível para trabalhar em conjunto e negociar e sustentou que o partido tem sido "um fator de estabilidade em Portugal e deste Governo".

Mas avisou que o partido quer "fazer diferente" e não abdica dos seus valores e princípios.

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"Nós estamos ali para honrar um mandato que foi o povo que nos deu há um ano e para cumprir o nosso programa eleitoral. É isso que nos faz diferentes. Porque se nós fôssemos iguais aos outros, o Chega não tinha razão para existir", defendeu.

Pedro Pinto pediu também ao Governo que quando se sente à mesa com o Governo seja para negociar efetivamente e não chegar com uma proposta fechada.

"Vamos refazer as reformas que este país merece e precisa. Ninguém tem dúvidas que essas reformas são precisas. No entanto, continuamos com um Governo que fala muito e faz pouco", criticou, classificando o executivo como um "Governo de propaganda".

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O líder parlamentar do Chega assinalou que estas são as primeiras jornadas parlamentares desde que o partido passou a segunda maior força no parlamento, quando passa um ano desde as últimas eleições legislativas.

Sobre a reforma laboral, Pedro Pinto classificou como "o maior erro do Governo" e defendeu que, mais do que uma reforma laboral, o país precisa de "uma reforma salarial".

E defendeu que a defesa dos trabalhadores são pode ser só uma bandeira da esquerda.

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"Nós temos de ser aquela direita social que faz falta em Portugal, temos de ser aquele espaço esquecido na direita, que o CDS esqueceu e que o PSD, ao fim e ao cabo, nunca esteve lá", sustentou.

Pedro Pinto enalteceu também a proposta do Chega para baixar a idade da reforma, classificando como "uma ideia brilhante" de André Ventura.

O deputado referiu que o Chega quer uma redução gradual até aos 65 anos e recusou as críticas que colam o Chega aos socialistas,

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"Quando nós dizemos que a polícia deve ter mais autoridade, que deve usar mais a arma, e em casos específicos, eles dizem que somos salazaristas. Agora que dizemos que queremos baixar a reforma das pessoas, somos socialistas. Não, meus amigos, aquilo que nós somos é cheguistas, cheguistas para mudar este país e para dar dignidade a todos os trabalhadores", salientou.

Quanto à reforma do Estado, classificou-a como "aquela treta que o ministro Gonçalo Matias arranjou para dizer que querem reformar alguma coisa".

Sobre o fim do visto prévio do Tribunal de Contas, Pedro Pinto considerou que vai ser "um bar aberto à corrupção" e que não é "para melhorar a vida dos portugueses", mas sim para "melhorar o bolso deles e para facilitar todas estas obras" e "alimentar as suas clientelas", e defendeu mais transparência.

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"É isso que nós não podemos deixar, temos que ir frontalmente contra este fim do visto prévio do Tribunal de Contas", indicou, depois de o líder do partido já ter anunciado o voto contra.

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