Líder do BE alerta que problemas de Portugal desaconselham desvios para a Defesa
Portugal atingiu em 2025 a meta de 2% do PIB destinado à Defesa, mas está no grupo de cinco países da NATO que menos gastam no setor.
O coordenador do BE, José Manuel Pureza, considerou esta quinta-feira não haver qualquer razão para um país com os problemas como os que Portugal enfrenta desviar recursos para utilização militar.
"Não há nenhuma razão para que um país que tem tanta dificuldade para canalizar recursos em quantidade adequada para questões essenciais como a saúde, habitação, ensino e formação e coesão social, desvie esses recursos para uma utilização militar e que em vez de contribuir para a paz vai apenas abrir caminho para aventuras de natureza militar", disse Pureza à agência Lusa, à margem da sua visita à 17ª edição da Qualifica -- Feira da Educação, Formação e Juventude, a decorrer até sábado na Exponor, em Matosinhos.
Portugal atingiu em 2025 a meta de 2% do PIB destinado à Defesa, mas está no grupo de cinco países da NATO que menos gastam no setor, de acordo com um relatório anual hoje divulgado pela Aliança Atlântica.
Segundo esse relatório, Portugal, Espanha, Canadá, Bélgica e Albânia são os países da NATO que menos gastam em Defesa, não ultrapassando a meta dos 2% (contra uma média na Aliança de 2,77%).
No entanto, apesar de estar entre esse grupo de países, Portugal é o 12.º Aliado que mais aumentou a sua despesa de um ano para o outro: em 2024, só 1,55% do PIB se destinava ao setor, percentagem que atingiu agora os 2%, um aumento de 31,67%.
José Manuel Pureza atribui estes números "à imposição de Donald Trump [Presidente dos Estados Unidos]" e que, por isso, "os países europeus, membros da NATO, têm sido confrontados com uma verdadeira chantagem, com o sentido de aumentar as suas despesas em defesa, as suas despesas militares, primeiro para 2%, depois para 5%", alertando que o "impacto desta guerra [no Irão] será tremendo sobre essa chantagem".
Lembrando que o BE se opõe a esse facto, foi buscar o exemplo espanhol para assinalar que "a retórica de que tem que ser, de que é inevitável" fez com que "nos últimos anos" os países fossem "chantageados com alegadas inevitabilidades".
"Esta é mais uma. Mas quem tem sentido crítico, quem tem sentido de justiça, quem tem sentido de coesão social, sabe bem que estas inevitabilidades não são inevitabilidades de coisa nenhuma, são escolhas. E nós fomos contra essa escolha", terminou.
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