Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto, acima da estimativa de 0,3% do Governo.
A Iniciativa Liberal considerou esta quinta-feira que o Governo não tem motivos para celebrar o excedente orçamental numa altura em que os portugueses estão confrontados com um custo de vida elevado e uma crise na habitação.
"Obviamente que nós acompanhamos a necessidade de termos contas públicas equilibradas, isso é positivo. Mas, infelizmente, não há motivos para celebrar enquanto o custo de vida é tão elevado para os portugueses, enquanto é tão difícil encontrar um sítio onde viver, quando em 2025 nós recuamos no PIB per capita a nível europeu, e não há motivos para celebrar quando o país continua a crescer 1%, quando deveria estar a crescer 3% e 4% ao ano", defendeu o líder parlamentar.
Numa declaração na Assembleia da República depois de ter sido tornado público que Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), Mário Amorim Lopes recordou palavras de Luís Montenegro quando o PSD era oposição, referindo que "o país parece estar a crescer", os portugueses "é que não o estão a sentir".
"O que nós esperamos é que o Governo, da próxima vez que celebra alguma coisa, que seja verdadeiramente algo que os portugueses sentem no bolso, que é um país a crescer, um país mais próspero, um país com salários melhores, um país ao nível dos países da União Europeia", desafiou.
O deputado da IL considerou também que os excedentes orçamentais "têm um propósito, que é precisamente ajudar nas situações de crise", e o Estado "tem de fazer aquilo que lhe compete, que é ajudar as pessoas", mas sem "pôr em causa a sustentabilidade das contas públicas".
Mário Amorim Lopes considerou que "se as medidas forem circunscritas no tempo, se forem conjunturais por um período de tempo bem limitado", não deverão comprometer o equilíbrio das contas públicas, mas "se forem uma despesa que fica para o futuro", já não é assim, mostrando preocupação com aumentos de despesa permanentes.
Questionado sobre um eventual orçamento retificativo, o líder parlamentar da IL lembrou que o seu partido "já pediu que o Governo apresentasse esse orçamento retificativo" para ser possível "discutir as medidas e o custo dessas medidas".
E defendeu que esse momento não pode ser aproveitado pelos partidos "para tentar fazer algum tipo de ganho político".
Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da estimativa de 0,3% do Governo, segundo os dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
"O saldo do setor das Administrações Públicas (AP) manteve-se positivo, fixando-se em 0,7% do PIB no ano terminado no 4.º trimestre de 2025 (0,6% no final de 2024), mais 0,5 p.p. (pontos percentuais) do que o observado no trimestre anterior", indicou o INE.
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