Ministra do Ambiente admite avaliar pedido de compensação à Espanha pelo apagão

Portugal espera relatório da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, depois do relatório europeu.

29 de abril de 2026 às 10:43
Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente Foto: Tiago Petinga/Lusa_EPA
Partilhar

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, admitiu avaliar um pedido de compensação à Espanha pelo apagão elétrico que deixou a Península Ibérica sem energia em abril de 2025. Em entrevista ao El Mundo, Maria da Graça Carvalho frisa que o relatório da Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transporte de Eletricidade é "muito claro" a referir que Portugal não teve qualquer responsabilidade no apagão e que isso "traz tranquilidade ao País", apontando que está à espera do parecer do regulador português para avaliar os próximos passos. 

"O relatório foi essencial, agora cabe às empresas decidirem o que fazer", diz a ministra. "[Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE)] Eles vão ter de decidir se consideram o apagão um evento excecional ou não", apontou em entrevista ao jornal espanhol. 

Pub

"Nenhuma central elétrica [em Portugal] apresentou falhas. Tudo estava a funcionar normalmente em Portugal quando ocorreu o apagão", disse a ministra, que referiu que poderia ter sido feito "um maior controlo da voltagem" da rede espanhola. 

Maria da Graça Carvalho disse ainda ser difícil avaliar se, com uma maior conexão entre Portugal e Espanha no que toca aos sistemas de rede, o apagão poderia ter sido evitado, contudo, avança que "poderia ter sido recuperado mais cedo". 

Sobre a central nuclear de Almaraz, na província de Cáceres, junto ao rio Tejo e que faz fronteira com os distritos portugueses Castelo Branco e Portalegre, a ministra refere que o governo português irá aceitar qualquer desfecho por parte do governo espanhol: o do desmantelar a central ou o de a manter aberta. "Se continuar, é importante modernizar [as instalações] porque já são bastante antigas", referiu a ministra. 

Pub

Questionada sobre uma possível introdução de um imposto sobre a energia devido à guerra, Maria da Graça Carvalho referiu que este "deveria ser um imposto europeu, para garantir a concorrência leal entre os países". 

O apagão de 28 de abril de 2025 teve origem em Espanha às 11:32:57 e propagou-se a Portugal em segundos, com o 'blackout' registado no país às 11:33:23. Em Portugal, a REN acionou o primeiro arranque em modo de 'blackstart' [arranque autónomo] dois minutos depois, a partir da barragem de Castelo de Bode, seguindo-se a Tapada do Outeiro, uma das duas infraestruturas então disponíveis para este procedimento. O normal funcionamento do Sistema Elétrico Nacional foi reposto em menos de 15 horas, mais rápido do que em Espanha.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar