Chefe de Estado disse que País está envelhecido, que há falhas no acesso à saúde e à habitação e que a justiça é lenta.
O País só anda para a frente, resolvendo os problemas de sempre, se os partidos se entenderem, trocando o taticismo eleitoral pelo interesse nacional. A receita para a estabilidade e para o sucesso, que convenceu a maioria dos portugueses a votar em António José Seguro, alimentou todo o seu discurso de tomada de posse como Presidente da República. Desde logo, quando apontou uma série de “desafios estruturais que se arrastam há tempo de mais” e que o levaram ontem a uma “enumeração demasiada longa e pesada”: “Crescimento económico insuficiente, economia baseada em baixos salários, desigualdades persistentes, pobreza constante, envelhecimento demográfico, morosidade na justiça, burocracias publicas, dificuldades no acesso à saúde e à habitação, falta de mão de obra, escassez de oportunidades para os mais jovens, insegurança para os mais idosos, desconfiança nas instituições e na política”.
Seguro fez o diagnóstico e passou o guia de tratamento. O primeiro passo é abrir mão da “improvisação” e das “metas que se esgotam no imediato e dirigidas, exclusivamente, para um calendário eleitoral de egoísta conveniência”.
"A experiência do passado recente, de ciclos eleitorais de dois anos, não é desejável. Tudo farei para estancar esse frenesim eleitoral", prometeu, defendendo que a rejeição do Orçamento do Estado não implica automaticamente a dissolução da Assembleia da República. E como as próximas legislativas e autárquicas são só em 2029, até lá “Portugal tem uma oportunidade de ouro para que os partidos políticos, o parlamento e o Governo encontrem soluções duradouras para resolver os graves problemas que afetam a vida dos portugueses".
Seguro garantiu que não quer "unanimismos artificiais" ou "apagar diferenças ideológicas", mas pediu "maturidade democrática" para que se coloque o "interesse nacional acima da lógica de curto prazo e de interesses eleitorais". Por isso, relevou que, em breve, vai promover um "compromisso interpartidário", a longo prazo, para garantir o acesso à saúde. Sem referências diretas, o Presidente avisou que não permitirá ataques ao "sistema democrático", ao "salutar confronto de ideias" e ao "normal funcionamento dos contrapoderes instituídos". "Em nenhuma circunstância admitirei que sejam ultrapassadas estas linhas vermelhas, a essência da Democracia", disse.
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Dia 1 em Belém com cabrito e o próprio vinho
Cerca de 580 convidados assistiram à sessão solene. Dos dois antigos Presidentes ainda vivos, Cavaco Silva esteve presente e António Ramalho Eanes fez-se representar pela mulher, Manuela Eanes. Na mesma tribuna, sentaram-se os antigos presidentes do parlamento Assunção Esteves e Mota Amaral - os socialistas Eduardo Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva não foram. De fora, vieram o rei de Espanha, os Presidentes de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor e de Moçambique, que depois participaram num almoço privado, já no Palácio de Belém. Foi servida sopa de peixe, cabrito à portuguesa e, para sobremesa, sericaia. Bebeu-se vinho Serra P, produzido pelo novo Presidente da República. Antes, o chefe de Estado passou pelo Mosteiro dos Jerónimos, onde depositou uma coroa de flores no túmulo de Camões. De lá, seguiu para a residência oficial, com escolta de 134 homens a cavalo da GNR, entrando de mãos dadas com a família - Marcelo Rebelo de Sousa, dez anos antes, fê-lo sozinho. À tarde, Seguro condecorou o seu antecessor (ver mais na página 6), no Palácio da Ajuda, e encontrou-se com jovens no ISCSP.
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