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Aguiar-Branco pede urgente mobilização de meios para arquivar o património digital

"Em democracia, a memória é um dever", apontou o presidente da Assembleia da República.

26 de fevereiro de 2026 às 13:18

O presidente da Assembleia da República considerou esta quinta-feira urgente que exista mobilização de meios do Estado e da sociedade civil para preservar o atual imenso património digital, alertando que a memória é um dever em democracia.

Esta mensagem foi transmitida por José Pedro Aguiar-Branco após entregar o "Prémio Mário Soares, Liberdade e Democracia" à jornalista Sofia Craveiro, durante uma cerimónia que se realizou na Sala do Senado e que contou com a presença de Isabel e João Soares, filhos do antigo chefe de Estado, e do procurador Geral da República, Amadeu Guerra.

Esta primeira edição do "Prémio Mário Soares, Liberdade e Democracia" teve como vencedora a jornalista Sofia Craveiro pela sua série de artigos intitulados "Arquivos de Media - Memória Sem Garantia de Preservação", trabalho concluído após dois anos de investigação.

"Em democracia, a memória é um dever. Entregamos a primeira edição do Prémio Mário Soares a uma reportagem sobre a memória", frisou o presidente da Assembleia da República logo no início da sua intervenção.

De acordo com José Pedro Aguiar-Branco, atualmente, "a grande questão já não é apenas a digitalização dos arquivos", mas, também, "o modo como arquivar o digital".

"Porque as nossas vidas, cada vez mais, passam pela internet - também no plano político, cívico e mediático. Boa parte do debate público trava-se online. E nem sequer podemos dizer que é um fenómeno novo", referiu, apontando, depois, que os primeiros blogues surgiram já há 20 anos.

"E não conseguiríamos contar a história política das últimas décadas sem os mencionar. Espaços de reflexão, sem barreiras à entrada, ou curadoria editorial; espaços livres, pessoais e coletivos onde nasceram ideias e projetos políticos. O risco que corremos é que, daqui a 50 anos, seja mais fácil consultar os jornais de 1975 do que os blogues de 2010", advertiu.

José Pedro Aguiar-Branco foi ainda mais longe nos seus alertas, dizendo que se corre o risco de ser "mais fácil pesquisar correspondência diplomática do século XIX do que ouvir um podcast de 2026".

"Não falo de uma questão técnica, ou distante. Falo de um desafio político real, um desafio de memória", acentuou, antes de considerar que o caminho que se tem percorrido para arquivar digital com relevância histórica tem sido insuficiente.

"Precisamos de fazer mais e melhor, pela preservação do nosso património coletivo, mais e melhor na acessibilidade destes conteúdos, mobilizando os meios do Estado e a sociedade civil, unindo esforços e investindo os recursos necessários", defendeu.

O presidente da Assembleia da República assinalou que a plataforma Gerador, que usa a internet e as redes sociais como meios de expressão, onde a jornalista Sofia Craveiro publicou os seus trabalhos, não poderia existir no tempo de Mário Soares.

"Mário Soares era um homem de futuro, mais preocupado com as oportunidades do que com os riscos, mais consciente dos desígnios do que das dificuldades. Um homem de ação e decisão. Com a atribuição deste prémio, a Assembleia da República honra este espírito", sustentou.

Neste contexto, frisou que o parlamento escolheu "lembrar Mário Soares premiando o jornalismo, o direito de informar e de ser informado - princípios essenciais numa sociedade livre".

"Lembramos Mário Soares, com uma reflexão sobre os desafios da memória pública. Fazemos memória, falando de futuro. Estou certo de que Mário Soares estará contente com esta sua Casa", acrescentou o presidente da Assembleia da República.

Criado no ano passado pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o prémio tem como objetivo distinguir atividades ou trabalhos centrados nos valores defendidos pelo antigo primeiro-ministro (1976/1978 e 1983/1985) e chefe de Estado (1986/1996).

No valor de 25 mil euros, o prémio é atribuído pelo presidente da Assembleia da República, mediante proposta do júri, que funciona junto da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. O júri é constituído por um deputado de cada Grupo Parlamentar, representantes da academia e da Fundação Mário Soares.

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