Ex-eurodeputada falou ainda sobre a possibilidade de concorrer à Presidência da República: "António Costa não o permitirá".
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Ana Gomes defende o afastamento ou a demissão do ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, da liderança do Eurobic, na sequência da divulgação de informações polémicas relacionadas com Isabel dos Santos, no caso 'Luanda Leaks'.
"O Banco de Portugal tem competência, hoje, para demitir o dr. Teixeira dos Santos. Alguém tem de ter a responsabilidade. Acho que sim [devia demitir Teixeira dos Santos], porque não haver nunca nenhum responsável é o que põe o povo todo a dizer: ‘Isto é tudo uma pandilha, estão todos feitos’. E, infelizmente, estão todos feitos", atirou durante uma grande entrevista à RTP, na noite desta quarta-feira.
A ex-eurodeputada acusa ainda as autoridades portuguesas de "conivência" e de "falta de ação" no caso que envolve a empresária angolana e que tem feito correr tinta na imprensa mundial. "Todos falharam e não foi por falta de competência. Foi porque não quiseram ver!", afirmou a socialista.
"Desde 2015 que eu própria tenho andado a alertar as autoridades. Não podiam alegar desconhecer. Não houve ação nenhuma da parte de ninguém", explicou Ana Gomes, insistindo na ideia de que vários governantes portugueses 'fecharam os olhos' "às origens do dinheiro das privatizações feitas no nosso País" ao longo dos últimos anos.
Ana Gomes acusa ainda as autoridades portuguesas de negligência, de "falta de vontade e de coragem". "A falta de responsabilização é o sinal para os outros de que isto não vai mudar. É essencial responsabilizar para que as pessoas não pensem que são todos iguais", afirma.
Ao longo da entrevista, a ex-diplomata refere-se a Isabel dos Santos como parte da "cleptocracia angolana" (um termo de origem grega, que significa, literalmente, "governo de ladrões") e sugere que "a utilização do sistema económico português para lavagem de dinheiro" já é uma prática antiga que vem do tempo do pai da empresária e ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. "Estamos expostos ao mundo como um 'país lavandaria'", afirma.
O nome de Proença de Carvalho vem à baila, aquando da menção da Operação Fizz, processo que envolve Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, num caso de corrupção. "Não percebo como é que se esse senhor ainda não respondeu pela sua participação num caso de corrupção de um magistrado português (...) Não é por acaso que Isabel dos Santos deu trabalho a todas as grandes sociedades de advogados", adianta.
Contrariamente a todos os anteriores escândalos financeiros destapados e denunciados pelo consórcio internacional de jornalistas (tais como o 'Panama Papers' e o 'Futebol Leaks'), Ana Gomes acredita que no caso do 'Luanda Leaks' vai haver consequências. "As autoridades portuguesas têm de cooperar com as autoridades angolanas até mesmo em caso de nacionalização", apela.
"Rui Pinto devia estar a colaborar com as autoridades"
Sobre o hacker Rui Pinto, a socialista volta a referir que este devia estar a "colaborar com as autoridades portuguesas". "Ele não expôs apenas criminalidade relacionada com o futebol mas também divulgou crimes fiscais", afirma.
Uma vez mais, a ex-eurodeputada aproveitou para tecer críticas à eficácia das autoridades portuguesas. "Rui Pinto fez diversas tentativas de denúncias ao Ministério Público e nada foi investigado. Eu estou farta de fazer denúncias e não vejo nada a ser investigado. E vejo as autoridades a trabalhar para a prescrição e para o encerramento dos casos", continua.
"Candidatura à Presidência? António Costa jamais o permitirá"
Após Francisco Assis ter vindo a público sugerir uma candidatura de Ana Gomes à Presidência da República, a ex-eurodeputada socialista garantiu que prefere continuar a combater a corrupção, razão pela qual estava em pausa das suas funções diplomáticas.
"Não quero estar limitada pelos constrangimentos institucionais que qualquer cargo político impõe, nomeadamente o cargo de Presidente da República", acrescentou, garantindo que considera que no próximo ato eleitoral Marcelo Rebelo de Sousa se irá candidatar e irá ser eleito.
Apesar dessa sentença premonitória, Ana Gomes acredita que o PS tem a "obrigação" de apresentar um candidato.
Perante a insistência do jornalista sobre se poderia encabeçar ou não uma candidatura socialista, a ex-diplomata responde: "Essa é uma questão que o próprio PS terá de analisar, mas não se incomode com isso porque o primeiro-ministro, António Costa, jamais o permitirá".
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