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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

António Filipe considera "retrocesso histórico" proposta de alteração das leis laborais do Governo

"Direito do trabalho foi criado para defender os trabalhadores, ou seja, para corrigir a desigualdade económico", defendeu.

10 de novembro de 2025 às 18:03

O candidato presidencial António Filipe afirmou esta segunda-feira em Setúbal que a proposta do Governo de alteração do código do trabalho constitui "um retrocesso histórico" que vai colocar o direito ao trabalho ao serviço do patronato.

"Isto é inaceitável, é um retrocesso histórico enorme e é perfeitamente justificado que os trabalhadores se lhe oponham. Esta proposta é frontalmente rejeitada pelos trabalhadores - viu-se isso numa grandiosa manifestação que ocorreu no passado sábado em Lisboa", disse António Filipe durante uma visita à Universidade Sénior de Setúbal.

"É uma matéria que não constava minimamente do programa eleitoral com que os partidos da AD se apresentaram às últimas eleições. O que o Governo devia fazer era, simplesmente, retirar esta proposta", acrescentou o candidato presidencial, convicto de que há um "repúdio generalizado" da proposta do Governo por parte dos trabalhadores e dos sindicatos.

António Filipe lembrou ainda que o "direito do trabalho foi criado para defender os trabalhadores, ou seja, para corrigir a desigualdade económica que existe entre o patronato e os trabalhadores" e acusou o Governo de querer colocar esse direito ao trabalho ao serviço do patronato para "liquidar quaisquer direitos dos trabalhadores".

"Eu, enquanto candidato a Presidente da República, manifesto-me contundentemente contra esta proposta e espero que antes das eleições presidenciais, que são só em 18 de janeiro, ela seja derrotada", frisou.

Confrontado com a posição do primeiro-ministro Luís Montenegro, que em declarações aos jornalistas no domingo, durante a 4.ª Cimeira UE-CELAC em Santa Marta, na Colômbia,  considerou "incompreensível" a greve geral convocada por CGTP e UGT contra a revisão das leis laborais, dizendo que apenas serve para "olhar para interesses" do PCP e do PS, António Filipe disse que são declarações "lamentáveis", porque o "direito à greve é um direito fundamental dos trabalhadores, que deve ser respeitado".

"E os trabalhadores não fazem greve porque lhes apetece fazer greve. Ter de fazer greve é penalizador para o próprio trabalhador, na medida em que é um salário que deixa de receber, e porque fazer greve é uma opção que, inclusivamente, em muitas empresas pode pôr em risco até o próprio posto de trabalho", disse.

"Aquilo que está em cima da mesa por parte do governo é uma proposta de alteração da situação laboral, que é profundamente desfavorável aos trabalhadores, porque praticamente liberaliza os despedimentos, na medida em que o direito fundamental de um trabalhador despedido ilegalmente a ser reintegrado é posto em causa, e o trabalhador nunca será reintegrado mesmo que o tribunal declare ilegal o seu despedimento", disse António Filipe.

As alterações previstas na proposta - designada "Trabalho XXI" e que o Governo apresentou em 24 de julho como uma revisão "profunda" da legislação laboral - visam desde a área da parentalidade (com alterações nas licenças parentais, amamentação e luto gestacional) ao trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.

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