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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

BE diz que cancelamento da construção da barragem de Girabolhos foi da exclusiva responsabilidade da Endesa

Governo anunciou, este mês, que iria lançar até ao final de março o concurso público para a construção e exploração da Barragem de Girabolhos.

20 de fevereiro de 2026 às 10:04

O Bloco de Esquerda (BE) de Coimbra garantiu esta sexta-feira que o cancelamento da construção da Barragem de Girabolhos foi da exclusiva responsabilidade da Endesa e defendeu uma discussão séria sobre a complexa questão do Rio Mondego.

"O cancelamento da construção daquela barragem foi, isso sim, da exclusiva responsabilidade do seu promotor, ou seja, da Endesa", vincou.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o BE de Coimbra referiu que o acordo de incidência parlamentar entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista, assinado em 2015, "nunca previu o cancelamento da construção da Barragem de Girabolhos".

"Esta matéria não fez parte de qualquer negociação entre estes partidos. Para comprovar este facto basta consultar o próprio documento, disponível em https://www.esquerda.net/dossier/acordo-para-virar-pagina-ao-ciclo-do-empobrecimento/39512", indicou.

O Governo anunciou, este mês, que iria lançar até ao final de março o concurso público para a construção e exploração da Barragem de Girabolhos.

Para os bloquistas, a apresentação da Barragem de Girabolhos "como solução milagrosa para as cheias" é "uma atitude oportunista, de certos setores da direita", perante o natural desespero e sofrimento das populações dos concelhos de Coimbra, Soure e Montemor--o-Velho.

"Foram ainda mais longe, responsabilizando o Bloco de Esquerda pela não concretização desta obra".

Na nota, o BE de Coimbra apontou ainda que votaram favoravelmente à conclusão do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que, segundo os especialistas, "ajudaria a mitigar cheias como aquelas que se verificaram".

"É impossível não reparar que os partidos que apoiam o atual Governo, e os mesmos que promovem esta mentira, se opuseram muito recentemente à concretização do projeto hidroagrícola do Baixo Mondego. Com efeito, PSD, CDS e IL votaram contra a conclusão desse importante projeto na discussão do Orçamento do Estado de 2025. Projeto que, esse sim, contribuiria para o controlo de cheias".

Porque entendem que "a questão do Mondego é complexa", os bloquistas defendem "uma discussão séria", ouvindo especialistas, populações locais e associações e movimentos ambientalistas, para que "tragédias como esta nunca mais se repitam".

"O momento exige solidariedade para com as populações afetadas -- solidariedade essa que deve traduzir-se em responsabilidade política, apoios imediatos e cooperação para construir soluções estruturais e preventivas, capazes de reduzir o risco e proteger as comunidades no futuro".

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