Em causa está a reconstrução do concelho gravemente afetado pelo mau tempo.
A Câmara de Leiria aprovou esta quinta-feira, por maioria, a delegação de poderes no presidente, Gonçalo Lopes (PS), para despesas até cerca de 748 mil euros, para a reconstrução do concelho gravemente afetado pelo mau tempo.
Segundo a deliberação, Gonçalo Lopes estava autorizado a realizar "despesa superior a 149.639,37 euros até ao limite de 350.000 euros, incluindo a da contratação pública".
Contudo, essa autorização é "agora insuficiente para fazer face às despesas geradas com a necessidade imperiosa e urgente de adquirir bens, serviços e realizar empreitadas indispensáveis à reposição da normalidade no concelho de Leiria de modo célere e eficaz, em resultado dos extensos danos provocados" pela depressão Kristin.
Nesse sentido, é "imprescindível que este valor seja aumentado até ao valor máximo permitido por lei", 748.196,85 euros, o que foi aprovado, na reunião extraordinária, que se realizou nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está o centro de operações municipal.
Na sessão, a vereadora Sofia Carreira (PSD) agradeceu "à Proteção Civil, aos bombeiros, à PSP, à GNR, às forças militares, aos voluntários, à Câmara" e a todos os que deram "uma pronta resposta nesta tragédia que assolou" o concelho, estendendo o agradecimento ao Governo que, "depois de uma avaliação muito breve dos estragos, atuou".
Sofia Carreira adiantou que o PSD optou por assumir uma "postura discreta" de trabalhar na comunidade, com amigos, famílias e vizinhos, evitando criar ruídos, nesta altura "absolutamente desnecessários".
A também deputada prometeu trabalhar para que "os apoios cheguem o quanto antes" e que sejam reforçadas as verbas para que todas as entidades públicas e privadas, famílias e empresas "possam enfrentar esta catástrofe".
"É unidos e com uma postura construtiva que devemos viver a política neste momento", acrescentou.
A participar 'online', Luís Paulo Fernandes (Chega) criticou que só agora, na reunião, haja contacto com os vereadores sem pelouro, lamentando que tenham sido ignorados e não tenham sido convocados para dar opinião e sugestões.
O vereador, também deputado, pediu que lhe fossem enviados "a escala e o acionamento da Proteção Civil local", para "averiguar até que ponto o executivo diligenciou e acautelou as escalas preventivas e de permanência, no que diz respeito a todos os agentes de Proteção Civil".
Gonçalo Lopes respondeu que "ninguém precisa de ser convocado para comparecer" quando o concelho está nesta situação.
"E temos bons exemplos de pessoas que compareceram, não sendo convocados, como muitos milhares de voluntários", salientou.
O presidente do município disse ainda que, nestes momentos, "as decisões são tomadas em contrarrelógio e não é uma falta de respeito pelos vereadores, mas a Câmara tem um líder" que "tem de tomar decisões hora a hora".
"Marcámos uma reunião presencial e digital. (...) Se tinha dúvidas e se quisesse falar com o presidente de Câmara sobre este assunto, era importante ter estado nesta reunião presencialmente", acrescentou.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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