Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito ao caso.
A Câmara Municipal do Seixal lamentou esta quarta-feira a morte de um munícipe, após demora no socorro, e defende que é urgente que o Ministério da Saúde assegure o reforço efetivo dos cuidados de saúde no concelho.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito ao caso do homem que morreu no Seixal depois de ter esperado cerca de três horas por socorro do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Em resposta à Lusa, a IGAS explicou esta quarta-feira que o inquérito irá "investigar a qualidade do serviço na perspetiva da prontidão, designadamente por parte do INEM".
Na terça-feira, um homem de 78 anos morreu depois de ter estado cerca de três horas à espera de socorro do INEM, apesar de ter sido classificado como prioridade 3 (resposta em 60 minutos).
Numa nota esta quarta-feira divulgada na sua página oficial no Facebook o presidente da autarquia, Paulo Silva, adianta que irá solicitar uma nova audiência à ministra da Saúde para respostas concretas.
Paulo Silva acrescenta que a câmara tem vindo a exigir ao Ministério da Saúde a resolução de diversos problemas que põem em causa o direito à saúde e à proteção da vida da população do concelho, nomeadamente, a necessidade de aumentar o número de médicos de família e de equipas nos cuidados de saúde primários e a "urgente construção do hospital no Seixal, uma reivindicação antiga, estruturante e amplamente reconhecida como essencial para aliviar o Hospital Garcia de Orta e garantir cuidados à população".
O autarca refere também que a Câmara Municipal do Seixal tem vindo a investir e a apoiar as corporações de bombeiros do concelho e a Cruz Vermelha, tendo nos últimos quatro anos adquirido quatro ambulâncias e financiado cinco Equipas de Intervenção Permanente (EIP) -- três dos Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal e duas dos Bombeiros Mistos de Amora.
Contudo, lamenta que a autarquia, a Associação Humanitária de Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal e a Associação Humanitária de Bombeiros Mistos de Amora tenham visto a Autoridade Nacional de Proteção Civil a recusar a criação de duas novas Equipas de Intervenção Permanente para o Seixal e Amora, que permitiria um reforço na resposta de emergência à população.
Também o Partido Socialista de Seixal manifestou esta quarta-feira "profunda consternação perante a morte, no concelho do Seixal" e exige que sejam clarificadas publicamente as causas concretas deste atraso "com total transparência por parte do INEM e das entidades competentes".
O PS Seixal exige ainda que seja realizado um inquérito independente para apurar eventuais falhas organizacionais e operacionais que contribuíram para este desfecho e que haja garantia de que os sistemas de resposta de emergência dispõem de recursos, coordenação e organização que assegurem tempos de resposta compatíveis com a preservação de vidas humanas.
O Bloco de Esquerda de Setúbal emitiu também uma nota a lamentar a morte no Seixal, considerando tratar-se de uma tragédia que "não é um caso isolado, nem pode ser reduzida a uma falha burocrática" defendendo que o que está em causa "é a crónica falta de recursos no socorro pré-hospitalar".
"Não podemos aceitar que se esconda a falta de investimento atrás de erros de protocolo. Um sistema de triagem, por muito eficaz que seja no papel, falhará sempre se não existirem profissionais suficientes para atender as chamadas e ambulâncias disponíveis para acorrer às populações. A morte deste cidadão é a consequência mais dolorosa de uma política de desinvestimento que deixa o distrito de Setúbal e o concelho do Seixal desprotegidos", frisa a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda em Setúbal.
Para o BE o socorro imediato "é um direito básico, não um privilégio sujeito à disponibilidade orçamental" e afirma ter questionado formalmente o Ministério da Saúde exigindo o reforço imediato de meios humanos e materiais (Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar e viaturas) no distrito.
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