Na perspetiva do líder do PS, na última proposta que o Governo apresentou "há dimensões que continuam a não estar salvaguardadas".
O secretário-geral do PS acusou, este sábado, o Governo de querer criar a ideia na opinião pública que estava a negociar a lei laboral mas sem abdicar dos "pilares fundamentais", mostrando disponibilidade para se "sentar à mesa" para consensualizar alterações.
No início da descida da Avenida da Liberdade, que marca dos 52 anos do 25 de Abril, José Luís Carneiro foi questionado pelos jornalistas sobre se gostaria de ter ouvido uma referência do Presidente da República, António José Seguro, no seu discurso à questão das alterações à lei laboral.
"O senhor Presidente da República falou de temas muito relevantes, eu também tenho a experiência de que não se pode falar de tudo nos discursos. (...) Mas já o fez noutros momentos e julgo que estamos todos irmanados no mesmo objetivo", defendeu, considerando que para haver "uma economia ser competitiva" é muito importante haver trabalhadores "mobilizados e motivados".
Na perspetiva do líder do PS, na última proposta que o Governo apresentou "há dimensões que continuam a não estar salvaguardadas".
"Ou seja, o Governo o que pretendeu foi criar na opinião pública a ideia de que estava a negociar, quando de facto, como se vê, nunca quis abdicar de pilares fundamentais da sua proposta", criticou.
Questionado sobre se espera que António José Seguro mantenha a sua posição da campanha eleitoral de vetar estas alterações caso não haja acordo na Concertação Social, Carneiro respondeu apenas "por aquilo que é a posição do Partido Socialista".
"Nós estamos disponíveis para nos sentarmos à mesa e para garantir que as mudanças que se queiram fazer sejam consensualizadas, mas têm que responder a uma questão fundamental: quais são os impactos da inteligência artificial?", disse.
Carneiro considerou ainda o discurso de Seguro "extraordinário e de uma grande importância" na questão dos jovens "porque é preciso encontrar uma forma diferente de comunicar os valores de Abril para quem não viveu antes de Abril e naqueles anos imediatos a seguir ao 25 de Abril".
Quanto à questão do financiamento dos partidos, o líder do PS referiu que o seu partido "esteve contra quem quis que os financiamentos do partido deixassem de ser transparentes".
"E foi com uma cara de desplante que o líder do partido que foi o responsável pela iniciativa de deixar de garantir financiamentos partidários transparentes, hoje veio defender que os financiamentos partidários devem ser transparentes", criticou, numa referência a André Ventura.
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