Secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu esta segunda-feira que o primeiro-ministro parece "completamente desligado do país" e "descolado da realidade".
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu esta segunda-feira que o primeiro-ministro parece "completamente desligado do país" e "descolado da realidade", demonstrando "insensibilidade e incompetência" para responder à crise na saúde.
"Quando o primeiro-ministro diz que não há problemas na saúde, isto só pode ser justificado com uma insensibilidade e com o facto de alguém ter descolado da realidade já há muito tempo", disse José Luís Carneiro que falava aos jornalistas em Fafe, no distrito de Braga, à margem de uma sessão do Parlamento dos Jovens organizada por uma escola profissional local.
Questionado sobre as declarações de Luís Montenegro que esta manhã, no Porto, disse que há uma "perceção de caos" no Serviço Nacional de Saúde (SNS) mas que "isso não é a realidade" e argumentando que os tempos de espera nos hospitais "são os melhores dos últimos cinco anos", Carneiro acusou Montenegro de estar "completamente desligado do país".
"Isso é estar mesmo completamente desligado do país. Eu já tinha notado isso na declaração do Ano Novo, já me pareceu um primeiro-ministro que já não está em sintonia com o país, e cada dia que passa, cada semana que passa, mais firmemente convencido fico disso. É um primeiro-ministro que não está em sintonia com as pessoas", referiu.
José Luís Carneiro voltou a insistir que Luís Montenegro tem de esclarecer o país sobre o concurso para novas ambulâncias anunciado pelo atual Governo que o PS reclama ter sido decidido quando estava no poder e quer explicações sobre os prazos deste processo.
"O primeiro-ministro deve esclarecer ao país é por que razão é que há dois anos estava autorizada a contratação de maior número de ambulâncias e por que razão é que em dois anos não houve uma resposta atempada para o reforço dos meios de transporte da emergência médica. Era muito importante que explicitasse as razões pelas quais esse concurso demorou tanto tempo a produzir os seus efeitos, porque vamos estar ainda longos meses à espera dessas ambulâncias para a emergência hospitalar", desafiou.
Quanto à permanência da ministra da Saúde, o líder do PS lembrou que essa decisão cabe ao primeiro-ministro, voltando a acusá-lo de "não ouvir o país" e recordando que o candidato presidencial apoiado pelo PSD, Marques Mendes, também já pediu que Ana Paula Martins falasse.
"Quando o doutor Marques Mendes, que é apoiado pela AD, exige explicações à ministra da Saúde, está tudo dito. Do meu ponto de vista, quem deve responder é o primeiro-ministro, porque é que continua a manter o país nesta imprevisibilidade, nesta insegurança, numa área tão vital à vida das pessoas, que é a saúde", disse.
Para José Luís Carneiro, "está a falhar o planeamento, a decisão, a execução das políticas".
"O Governo está sem capacidade para executar as políticas. É aquilo que me parece mais evidente. Perdeu já há muito o ímpeto reformista e hoje manifesta uma grande impreparação e, sobretudo, uma insensibilidade", referiu.
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