Secretário-geral do PS acrescentou que Governo "tem utilizado temas da extrema-direita não porque esteja preocupado com os temas da extrema-direita".
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, avisou este sábado que a direita democrática "está numa rampa deslizante para a extrema-direita", incluindo em Portugal, acusando o executivo de estar a "ceder aos temas" do Chega.
"A direita democrática está numa rampa deslizante para a extrema-direita", avisou José Luís Carneiro em declarações aos jornalistas à margem do encontro Mobilização Global Progressista, em Barcelona, onde se estão a reunir vários líderes da esquerda mundial.
Questionado se isso também se está a verificar em Portugal, o secretário-geral do PS respondeu: "Com certeza, tem sido evidente em temas que são sensíveis".
"O que tem acontecido à direita no Governo é que, em vez de responder às prioridades com que se comprometeu na campanha eleitoral -- porque se comprometeu a dar respostas sérias na saúde, na habitação, nas exportações e economia do país, a melhorar salários --, tem cedido aos temas que agradam e fazem parte do núcleo fundamental da mensagem da extrema-direita, nomeadamente as questões da nacionalidades, das migrações", referiu.
O secretário-geral do PS acrescentou ainda que o Governo "tem utilizado temas da extrema-direita não porque esteja preocupado com os temas da extrema-direita".
"Mas porque é um mecanismo, um instrumento de distração da atenção da opinião pública, das suas incapacidades e insuficiências para responder às prioridades que o Governo tem", acusou.
José Luís Carneiro fez estas declarações aos jornalistas depois de ter participado num debate sobre o tema "Promover a democracia, derrotar a extrema-direita", no qual também interveio a escritora chilena Isabel Allende.
Aos jornalistas, o secretário-geral do PS considerou que o "melhor modo" de se responder ao populismo e à demagogia é "garantir que a democracia responde às necessidades fundamentais dos cidadãos", como o custo de vida, a saúde, a habitação ou o modelo de desenvolvimento da economia.
"Uma economia que seja capaz de crescer, baseada no conhecimento, na investigação, mas que seja simultaneamente sustentável no uso de recursos e inclusiva do ponto de vista social. Isto significa criar níveis elevados de emprego, mas emprego digno, que remunere bem os trabalhadores", sustentou.
O secretário-geral do PS considerou que só assim é que se conseguirá "responder a uma linguagem e a um método populista e demagógico que promete tudo e a todos e que, depois, naturalmente, falha", frisando que isso se verificou ou está a verificar em países como os Estados Unidos, o Brasil ou a Hungria.
"São modelos que prometem tudo e a todos, como se fosse tudo simples e não houvesse complexidade, e depois falham a tudo e a todos e, mais grave, é que quando, depois, falham a tudo e a todos e as pessoas descobrem, procuram utilizar instrumentos de controlo das sociedades, impedindo as liberdades democráticas e os direitos cívicos fundamentais", afirmou.
José Luís Carneiro considerou que encontros como o que se está a realizar este sábado em Barcelona são importantes para que a esquerda consiga cooperar a nível internacional para "responder a uma tendência global".
"E a tendência global é para que os populismos sejam substituídos por uma mensagem de verdade, de proximidade e que responda às necessidades das pessoas", afirmou.
Vários líderes da esquerda mundial estão a reunir-se este sábado em Barcelona para coordenar ações e partilhar experiências num momento de avanço da direita e da extrema-direita a nível global.
Entre os nomes presentes estão o primeiro-ministro espanhol e atual presidente da Internacional Socialista, Pedro Sánchez, o Presidente do Brasil, Lula da Silva, o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
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