Socialista falava à margem de uma visita a Estação de Biologia Marinha do Funchal.
O secretário-geral do PS considerou, esta segunda-feira, incompreensível que o primeiro-ministro esteja fora do país para assistir ao Mundial de futebol numa altura em que o continente português se encontra em situação de alerta devido aos incêndios.
Em declarações aos jornalistas, no Funchal, sobre a situação dos exames nacionais, José Luís Carneiro disse que esperava que Luís Montenegro "tivesse os pés no país", acrescentando que é também "incompreensível que, numa altura em que o Estado decretou a situação de alerta" esteja "fora do país para assistir ao futebol".
O socialista falava à margem de uma visita a Estação de Biologia Marinha do Funchal, no âmbito de uma deslocação de dois dias à região autónoma, dedicada ao tema do mar.
Na quinta-feira, o Governo declarou situação de alerta, das 00h00 de sexta-feira às 23h59 de segunda-feira, devido à previsão de altas temperaturas e ao "significativo agravamento do risco de incêndios rurais".
No sábado, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse que o estado de alerta em Portugal deverá ser mantido esta semana, já que os próximos dias vão continuar a ser de muito calor.
José Luís Carneiro referiu que, em 2022, o então primeiro-ministro socialista, António Costa, e o na altura Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cancelaram uma deslocação oficial a Moçambique numa altura crítica de incêndios.
O secretário-geral do PS acrescentou que "não apenas é grave não estar cá na altura em que o país está em situação de alerta, como é grave também que o primeiro-ministro não tenha uma palavra, um pedido de desculpas às famílias e, tão importante como o pedido de desculpas, explicar às famílias o que é que está a ser feito para garantir a confiabilidade e a segurança nos termos em que os alunos são avaliados para efeito de candidatura ao ensino superior".
Questionado se admite viabilizar a comissão parlamentar de inquérito proposta pelo BE, o dirigente socialista disse esperar que o Governo possa dar, primeiro, uma explicação válida e transmitir uma mensagem de tranquilidade às famílias.
Caso isso aconteça, acrescentou, a comissão de inquérito "não será necessária", ressalvando, porém, que caso não se verifique, o partido vai ponderar a questão.
Esta segunda-feira de manhã, o PSD manifestou-se disponível para viabilizar audições parlamentares sobre os problemas nos exames nacionais, incluindo a do ministro da Educação, mas dizendo não se rever "na lógica de fazer política" do BE que pediu um comissão de inquérito.
Na sexta-feira, o Ministério da Educação anunciou que a divulgação dos resultados e a segunda fase dos exames nacionais foram adiadas devido às falhas da avaliação eletrónica, havendo ainda professores sem receber os itens das provas para corrigir.
Segundo a tutela, as candidaturas ao ensino superior deverão manter-se inalteradas, ou seja, arrancam a 20 de julho.
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