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Líder do PS disse ainda que vê na AD "o principal fator de instabilidade".
O recandidato à liderança socialista, José Luís Carneiro, assegurou esta quinta-feira que o PS não procura eleições antecipadas nem crises, mas estará "preparado para todas as responsabilidades", secundando críticas de Passos Coelho à AD que acusa de "fator de instabilidade".
José Luís Carneiro entregou esta quinta-feira ao presidente do PS, Carlos César, a sua moção global de estratégia com a qual se apresenta às diretas e ao XXV Congresso Nacional, uma recandidatura na qual não terá opositor já que o prazo termina esta quinta-feira e até agora não apareceu nenhum nome.
"O PS não criará crises políticas, mas estará preparado para todas as responsabilidades", respondeu aos jornalistas depois do ato formal da entrega.
O líder do PS disse ainda que vê na AD "o principal fator de instabilidade".
"Olhando para as declarações do doutor Passos Coelho em relação ao Governo, elas de facto suscitam a maior preocupação sobre a capacidade da própria AD manter a estabilidade política no país", referiu. Para Carneiro, o antigo primeiro-ministro "tem razão quando diz que não há qualquer reforma do Estado, contrariamente àquilo que o Governo apresenta", concordando também quando o social-democrata "diz que o Governo está a enxamear toda a Administração Pública com cargos de cariz partidário, fragilizando as funções essenciais do Estado".
No texto da moção pode ler-se que os socialistas não procuram "eleições legislativas antecipadas", mas têm "que estar preparados para estar à altura de todas as responsabilidades".
"Esta Moção de Política Global que proponho ao Congresso Nacional é isso mesmo, o continuar de um amplo movimento participativo de preparação das políticas da futura governação do PS", refere.
Questionado sobre o facto de ir concorrer sozinho e de isso poder ser um sinal de fragilidade, Carneiro afirmou que nunca se pode "ter o melhor de dois mundos".
"Se tivéssemos muitos adversários, diriam que o partido estava pulverizado, estava fragmentado. Porque agora sou um candidato único, também não pode ser visto aí um fator de fraqueza. Diria que é um fator de força não ter aparecido nenhuma candidatura alternativa à atual liderança do Partido Socialista", defendeu.
Segundo o recandidato ao cargo de secretário-geral do PS, houve "dois meses para a convocação de todos os atos eleitorais".
"Naturalmente que o esforço que foi desenvolvido por mim ao longo destes seis meses foi um esforço de inclusão, de abertura à participação de todas e de todos. E esse apelo continua a ser válido hoje. Estou a realizar sessões por todo o país e aquilo que quero dizer é convocar mesmo aqueles que têm posições mais críticas a participarem ativamente nessas sessões que visam fazer a tal discussão mais aprofundada com a sociedade civil e também com os militantes do partido", desafiou.
Carneiro disse que tinha de "respeitar a vontade de quem entende que esta candidatura representa a globalidade e a generalidade dos socialistas" e reiterou que "não é um sinal de fragilidade" protagonizar uma candidatura única.
O líder do PS referiu que as prioridades da sua moção estratégica são muito claras.
"Habitação, saúde, salários, uma economia que incorpora um choque de tecnologia e que se baseia numa nova política fiscal para garantirmos melhores remunerações, tendo a ambição que até 2035 sejamos capazes de ter salários médios em Portugal equiparáveis aos salários médios europeus", resumiu.
No texto da moção, espaço para as presidenciais, recentemente ganhas pelo ex-líder do PS António José Seguro.
"O PS logrou assim as duas condições essenciais para uma vitória do centro-esquerda nas eleições presidenciais: ter um candidato; e só ter um candidato. O centro-esquerda unido suplantou o centro-direita dividido na primeira volta e derrotou a extrema-direita na segunda. Desponta um cenário de bipolarização entre uma direita cada vez mais radicalizada e o PS, que é hoje a casa comum dos Democratas, Progressistas e Humanistas".
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