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Chega Açores diz que Governo Regional esconde a verdade sobre rotas da SATA

Partido acusou o executivo de tratar o parlamento como um "mero adereço".

06 de abril de 2026 às 20:13

O Chega/Açores considerou esta segunda-feira que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) "esconde a verdade" sobre a rentabilidade das rotas da companhia aérea açoriana SATA e acusou o executivo de tratar o parlamento como um "mero adereço".

Em comunicado, o grupo parlamentar do Chega disse ser "inaceitável e politicamente reveladora" a resposta do Governo Regional ao requerimento sobre a rentabilidade das rotas da Azores Airlines para o exterior do arquipélago.

Segundo o partido, o executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro "limitou-se a entregar a lista das rotas atualmente operadas, mas recusou divulgar aquilo que verdadeiramente interessa aos açorianos: quanto rende cada rota, quanto custa, que prejuízos existem e que decisões estão a ser tomadas com base nesses números".

"Em vez de responder com clareza, o executivo escolheu esconder-se atrás da expressão 'informação comercialmente sensível' e do velho escudo do 'segredo comercial'", apontou.

Para o Chega/Açores, o Governo Regional "não quis dizer ao parlamento nem ao povo açoriano onde é que a SATA ganha, onde é que perde e onde é que se continua a insistir em erros pagos por todos".

"Nos números agregados apresentados, as rotas para Portugal surgem com taxas médias de ocupação superiores às da Europa/África nos últimos três anos, e em 2025 essa diferença é particularmente evidente: 83,20% para Portugal contra apenas 72,40% para Europa/África. Ou seja, até na informação filtrada que decide mostrar, o Governo já deixa perceber que há segmentos da operação internacional com desempenho claramente mais fraco", salientou.

Já na questão dos critérios para abertura de novas rotas, a resposta é "uma mão-cheia de generalidades", acrescentou o Chega/Açores, alegando que o executivo "fala em procura, sustentabilidade económico-financeira, relevância estratégica, conectividade e viabilidade operacional".

Na resposta, salientou ainda o Chega/Açores, o Governo Regional também "reconhece que, para além da nova rota Terceira-Funchal, não se perspetiva o lançamento de novas rotas no curto e médio prazo".

"O Governo [Regional] não respondeu ao que era essencial. Não negou prejuízos, não mostrou estudos, não explicou decisões e não quis abrir os números. Quando se trata da SATA, há sempre uma desculpa para esconder a verdade", afirmou o líder parlamentar do Chega açoriano José Pacheco, citado na nota.

O partido continuará a exigir "transparência total" sobre a operação da Azores Airlines, assegurou o Chega/Açores.

O Governo dos Açores revelou esta segunda-feira que as taxas médias de ocupação das rotas regulares operadas pela Azores Airlines para Portugal, América do Norte, Europa/África ficaram abaixo dos 85% em 2025.

Numa resposta a um requerimento do Chega, consultado pela agência Lusa, o executivo regional revelou que a taxa média de ocupação ('load factor') nas rotas regulares da Azores Airlines para Portugal foi de 83,20% em 2025, um valor mais baixo do que o registado em 2024 (85,60%) e 2023 (84,40%).

Segundo a informação disponibilizada, a companhia aérea realiza atualmente 20 rotas com origem ou destino nos Açores para o exterior do arquipélago.

O Governo Regional rejeitou divulgar a rendibilidade individual de cada rota por ser "informação comercialmente sensível" ao abrigo do "segredo comercial da empresa" e revelou que a Azores Airlines "não perspetiva o lançamento de novas rotas no curto e médio prazo".

"Existe uma monitorização constante da performance financeira das rotas da Azores Airlines, sendo introduzidas, de forma contínua, alterações e ajustamentos à melhoria da rendibilidade das mesmas, o que, no limite, pode resultar no cancelamento da rota, tal como aconteceu nos últimos dois anos, período em que a companhia cessou operações para três destinos no continente europeu", indicou o executivo.

Em 07 de março, o Chega/Açores apresentou dois requerimentos a solicitar esclarecimentos ao Governo açoriano sobre a rentabilidade das rotas da Azores Airlines e sobre a situação de um avião da companhia estacionado em Toulouse.

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