Rui Afonso acusou o Governo de querer manter "um sistema cada vez mais pesado para quem trabalha, injusto para quem desconta e inseguro para quem espera vir a reformar-se".
O Chega reiterou esta sexta-feira a defesa da redução da idade de reforma para os 65 anos e, às acusações de que estaria alinhado com partidos como PCP e BE, respondeu que nesta matéria se assume "de esquerda".
O parlamento discutiu esta sexta-feira, num debate agendado pelo Chega, 14 projetos-lei e três recomendações ao Governo de várias bancadas, entre os quais diplomas do partido liderado por André Ventura para acabar com o pagamento das subvenções vitalícias a políticos e consagrar o acesso à pensão de velhice aos 65 anos ou com 40 anos de carreira contributiva, matéria que levou à falta de acordo com o Governo na reforma laboral.
O tema das pensões dominou a discussão, com o deputado do Chega Rui Afonso a acusar o Governo de querer manter "um sistema cada vez mais pesado para quem trabalha, injusto para quem desconta e inseguro para quem espera vir a reformar-se", desafiando o parlamento para uma reforma da segurança social.
"Uma reforma desta dimensão exige coragem política, estudo técnico e vontade de romper com décadas de imobilismo", disse.
Pelo PSD, a deputada Isaura Morais acusou o Chega de apenas pretender "criar expectativas nos portugueses para arrancar aplausos", argumentando que esta descida poria em causa "as reformas dos filhos de hoje e as dos netos do futuro".
Na mesma linha, o líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, acusou o Chega de irresponsabilidade, dizendo que a proposta custaria "quase uma TAP por ano", enquanto o deputado do CDS-PP Paulo Núncio afirmou que "não é possível ser de direita e ser comunista ao mesmo tempo", frisando que PCP e BE têm propostas semelhantes.
"Se reduzir a idade de reforma para 65 anos ou para 40 anos de desconto é de esquerda, então vamos assumir que somos de esquerda, mas somos portugueses", respondeu Rui Afonso, acrescentando que PCP e BE não conseguiram fazer aprovar estes diplomas quando o PS era Governo e existia um acordo parlamentar e "agora vêm atrás" do Chega.
No debate, o líder do Chega, André Ventura, reafirmou o orgulho que a sua bancada tem em ter chumbado o pacote laboral devido ao desacordo com o Governo sobre a descida da idade de reforma.
"Deviam agradecer ao Chega todos os dias da vossa vida", afirmou, dirigindo-se ao lado esquerdo do hemiciclo.
O partido ouviu igualmente críticas à esquerda sobre a sua proposta de descida da reforma, com o PS a duvidar do custo da medida e da sua forma de financiamento.
"O populismo funciona bem nas redes sociais, mas funciona mal na vida das pessoas", criticou a deputada Ana Paula Bernardo, questionando se o objetivo não é partir para outro modelo de Segurança Social.
O deputado do PCP Alfredo Maia sublinhou que o seu partido já apresentou por várias vezes esta proposta, que não teve no passado votos a favor do partido liderado por André Ventura, acusando o Chega de querer "enganar os trabalhadores e descapitalizar a Segurança Social".
Já o deputado único do BE Fabian Figueiredo defendeu as propostas do partido de reduzir a idade da reforma e penalizar fiscalmente as subvenções vitalícias, matéria em que apontou hipocrisias ao Chega, lembrando que teve um porta-voz, António Sousa Lara, que a recebia.
Na mesma linha, o Livre salientou a sua proposta de aumentar em 50 euros as pensões mínimas, tal como o PAN, que propõe um limite máximo das pensões de velhice, enquanto o JPP lamentou que o seu projeto -- para baixar idade da reforma nas ilhas -- não tenha sido admitido por dúvidas de constitucionalidade.
Em resposta às questões de várias bancadas, Ventura reiterou que a proposta do Chega custaria 1,9 mil milhões de euros, abaixo dos valores estimados pelo Governo para a descida da idade da reforma para os 65 anos ou 40 anos.
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