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Correio da Manhã

Política

Costa e Rio isolam Ventura e lançam isco para parcerias

Secretário-geral do PS diz que saberá “construir soluções”, caso não consiga maioria absoluta. Se perder, demite-se mas ficará no ativo. Presidente do PSD prefere PAN ao Chega.
Salomé Pinto 26 de Janeiro de 2022 às 01:30
Secretário-geral do PS, António Costa, carregado em ombros no mercado de Matosinhos
Líder do PSD, Rui Rio, numa ação de campanha em Beja
Secretário-geral do PS, António Costa, carregado em ombros no mercado de Matosinhos
Líder do PSD, Rui Rio, numa ação de campanha em Beja
Secretário-geral do PS, António Costa, carregado em ombros no mercado de Matosinhos
Líder do PSD, Rui Rio, numa ação de campanha em Beja
A corrida pelo voto do eleitorado mais ao centro entre PS e PSD aqueceu ontem a campanha dos líderes dos maiores partidos. Vão lançando o isco a todos menos ao Chega para ver quem no pós-eleições poderá viabilizar um Executivo rosa ou laranja. O presidente do PSD, Rui Rio, até prefere o PAN ao Chega para encontrar uma solução governativa.

A estratégia de Rio pareceu uma cópia da do secretário-geral do PS que anteontem enterrou as palavras “maioria absoluta” e disse já estar disponível para conversar com todos os partidos, menos com o Chega. António Costa repetiu ontem a mesma tese à Antena1, mas de uma forma mais vaga: “Seja qual for o resultado saberei construir soluções.” O socialista voltou a não esclarecer se assinará um acordo escrito com os partidos mais à esquerda, como desafiou o BE.

Certa é a demissão do líder do PS caso perca as Legislativas, mas manter-se-á na vida política ativa: “De uma forma ou de outra, continuarei a fazê-lo, mas não da mesma forma.”

Depois das últimas sondagens que ora são um empate técnico entre PS e PSD ora uma ligeira vantagem aos sociais-democratas, Rio passou ao ataque: “Acho que o dr. António Costa está na iminência de perder as eleições e acho que podia perder com dignidade.” Se precisar de alianças, Rio sublinha que CDS e Iniciativa Liberal serão os preferenciais se ganhar e vincou que uma eventual aliança governamental com o partido de André Ventura está fora de questão. E até admite recorrer mais rapidamente ao PAN. Porém, Costa já se adiantou no namoro ao Partido das Pessoas, dos Animais e Natureza quando ontem se mostrou disposto a voltar aos debates quinzenais no Parlamento. Esta é uma das linhas vermelhas apresentadas pelo PAN para eventuais entendimentos.

Mudança de discurso "inevitável"
O dirigente comunista João Ferreira, numa viagem de elétrico ontem em Lisboa, defendeu a necessidade de "libertar" a redução dos passes da dependência dos Orçamentos do Estado. "Precisamos de libertar o passe social intermodal destas contingências de uma discussão anual", sustentou. Já questionado sobre a mudança de discurso de António Costa, que admitiu negociações "com todos" os partidos, João Ferreira considerou que era "inevitável" a mudança de discurso sobre novos entendimentos, afirmando que a "realidade veio dar razão às posições" da CDU.

"Bom sinal" que direita fique incomodada
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou ontem um "bom sinal" que a direita fique "muito incomodada com o Bloco de Esquerda", afirmando que o líder do PSD, Rui Rio, "aparentemente confunde algumas sondagens com os resultados eleitorais". Para a líder bloquista, neste momento da campanha, "está-se a falar do que é necessário", ou seja, de "entendimentos para o País e da força da esquerda para que esses entendimentos sejam sobre o que conta". "Quem vai votar no domingo vai impor uma derrota à direita", disse Catarina.
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