Rodrigo de Mello Gonçalves desfiliou-se do PSD por divergências com a atual direção, presidida por Rui Rio.
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O deputado Rodrigo de Mello Gonçalves, que até agora integrava a bancada do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa, vai passar a exercer o mandato como independente, após se ter desfiliado do partido, disse esta segunda-feira o próprio à Lusa.
Rodrigo de Mello Gonçalves desfiliou-se do PSD por divergências com a atual direção, presidida por Rui Rio.
Numa carta endereçada ao secretário-geral do partido, José Silvano, Rodrigo de Mello Gonçalves aponta que "o PSD, com esta nova direção, mudou muito".
O deputado sustenta que "o atual PSD se reposicionou no espetro político, apresentando-se, por diversas vezes, como um partido de centro-esquerda, privilegiando o diálogo com o PS, em vez de procurar liderar uma dinâmica de mudança e de união da área do centro e da direita".
Rodrigo de Mello Gonçalves, desfiliado desde 19 de fevereiro, considera ainda que o partido se tem "centrado nas críticas internas, promovendo a divisão e agindo ao arrepio da ética que tanto se apregoou".
"Eu, ao contrário do atual PSD, acredito que o futuro passa pela construção de um projeto alternativo que reúna as forças do centro e da direita para um combate sem tréguas à frente de esquerda liderada pelo PS", defende Rodrigo de Mello Gonçalves no final da missiva.
À Lusa, o deputado municipal vincou que "esta é uma rutura com o PSD nacional e não com o grupo municipal".
Por isso, o deputado passará a independente a partir da reunião plenária desta segunda-feira da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), pelo que a bancada do PSD fica reduzida a 11 eleitos.
"Disponibilizei-me para continuar na bancada como independente, mas esta opção não foi aceite pela concelhia de Lisboa", afirmou, acrescentando que "preferia ter continuado a integrar" o grupo municipal.
Referindo não ter razões que o levem a sair da AML, Rodrigo de Mello Gonçalves salientou que a "perspetiva é ficar" até ao final do mandato, continuando "a mesma linha de oposição ao executivo" liderado pelo socialista Fernando Medina.
Apesar de ter marcado presença no congresso fundador da Aliança, partido presidido por Pedro Santana Lopes - que Rodrigo de Mello Gonçalves apoiou quando este se candidatou à liderança do PSD no ano passado -, o deputado notou que "neste momento é uma pessoa sem filiação partidária, que tem um compromisso com o eleitorado de Lisboa".
O eleito assegurou que "não está no horizonte" filiar-se noutro partido "nos próximos tempos".
Contactado pela Lusa, o líder da bancada do PSD na AML, Luís Newton, assinalou que a posição da concelhia do PSD é de que o eleito "deveria renunciar ao mandato" e que "quando há uma renúncia ao partido, deveria haver também uma renúncia ao mandato".
Ainda assim, o social-democrata destacou que Mello Gonçalves é um deputado de "enorme qualidade" e que será "necessariamente uma perda para a bancada e uma perda para o partido".
"Rodrigo de Mello Gonçalves foi um elemento importante na bancada" social-democrata e "um dos que mais interveio", observou o dirigente.
De acordo com o Regulamento da AML, perdem o mandato os deputados que, "após a eleição, se inscrevam em partido diverso daquele pelo qual foram apresentados a sufrágio eleitoral".
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