Candidato considera que medidas contempladas nas sucessivas declarações de estado de emergência não foram eficazes.
O candidato à Presidência da República João Ferreira defendeu esta terça-feira que são necessárias medidas adicionais para travar a progressão da pandemia de covid-19, mas considerou que o estado de emergência "não pode ser entendido como a medida".
"Sublinhamos: são necessárias medidas de emergência, mas o estado de emergência não pode ser entendido como a medida", lê-se numa declaração de João Ferreira a propósito da reunião com epidemiologistas sobre a evolução da pandemia que decorreu esta terça-feira no Infarmed e à qual assistiu por videoconferência.
Para o eurodeputado e candidato apoiado pelo PCP e PEV, as medidas contempladas nas sucessivas declarações de estado de emergência não foram eficazes no combate e contenção da epidemia, que se manteve em progressão.
"As sucessivas declarações do estado de emergência, nas quais não encontramos as medidas que seriam necessárias para um eficaz combate à epidemia, limitaram direitos, alimentaram o alarmismo, mas não impediram que chegássemos à situação atual", refere.
O eurodeputado não teve durante esta terça-feira quaisquer ações de campanha, canceladas por precaução após ter sido tornado público, na segunda-feira à noite, que o Presidente e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, teve um teste positivo de diagnóstico ao novo coronavírus.
"O quadro apresentado, com o aumento previsível do número de casos positivos e da pressão exercida sobre as unidades do Serviço Nacional de Saúde, reclama medidas de emergência adicionais, que devem incidir na proteção das pessoas, designadamente na prevenção e no reforço da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde", prosseguiu.
Para o candidato, é necessária a contratação de mais profissionais, o aumento do número de camas de cuidados intensivos e a formação das respetivas equipas, assim como o reforço da estrutura de saúde pública, "fundamental para quebrar cadeias de contágio, conter e anular" a progressão da epidemia.
"A par destas medidas, é necessário reforçar as medidas de apoio e proteção social dos que, impedidos de exercerem a sua atividade profissional devido ao provável confinamento a ser anunciado amanhã [quarta-feira], vão perder a totalidade ou parte dos seus rendimentos", defendeu.
Por outro lado, sublinhou, é necessário "garantir um reforço da proteção de todos quantos, mesmo no provável confinamento próximo, não deixarão de continuar a trabalhar".
Face à situação epidémica que se vive no País, João Ferreira acrescentou que a campanha da sua candidatura continuará a ser adaptada à situação existente, "adotando todas as medidas de proteção sanitária sem que tal signifique abdicar do esclarecimento e da mobilização dos portugueses para o voto".
O secretário-geral do PCP anunciou esta terça-feira que vai voltar a votar contra a renovação do estado de emergência para dar resposta à pandemia de covid-19 e pediu mais medidas de emergência, após a reunião que decorreu no Infarmed.
Para Jerónimo de Sousa, a situação de pandemia não se resolve "com o confinamento absoluto", sendo "necessárias medidas de emergência", de caráter social e económico, de apoio aos trabalhadores e aos micro, pequenos e médios empresários,
Além disso, afirmou, o Governo deve evitar adotar "exclusivamente" medidas restritivas.
As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.
A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).
A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.945.437 mortos resultantes de mais de 90,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 8.080 pessoas dos 496.552 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
O estado de emergência decretado em 09 de novembro para combater a pandemia foi renovado com efeitos desde as 00:00 de 08 de janeiro, até dia 15.
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