Candidato presidencial considera que este modelo é o único capaz de "combater verdadeiramente as desigualdades e garantir uma saúde para todos".
O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo alertou, esta quinta-feira, para a importância de "não afundar o modelo público" de saúde, considerando este é o único capaz de "combater verdadeiramente as desigualdades e garantir uma saúde para todos".
"Nós temos um problema que não é de recursos. Nós duplicámos nos últimos dez anos praticamente recursos financeiros. Temos um problema organizacional, nítido, e um problema do modelo, da concorrência entre um modelo privado e um modelo público. E como é que nós vamos resolver esse problema? Não afundando o modelo público", defendeu Henrique Gouveia e Melo, em declarações aos jornalistas no concelho de Sintra.
O almirante na reserva falava depois de ter sido recebido na Câmara Municipal de Sintra pelo autarca Basílio Horta, e antes de visitar as instalações do novo hospital do concelho.
Na ótica do antigo coordenador da 'task force' para a vacinação contra a covid-19, "o modelo público é aquele que, na realidade e no fim, garante o acesso de saúde universal a todos os portugueses".
"Eu sou um defensor do modelo público. Não estou contra o modelo privado, no entanto, o modelo público é aquele que vai combater verdadeiramente as desigualdades e vai garantir uma saúde para todos, e isso é uma coisa que todos nós temos que estar preocupados", salientou.
Gouveia e Melo justificou a sua visita às instalações do novo Hospital de Sintra com o facto de, nos contactos que tem tido com a população, considerar que os assuntos que mais preocupam os portugueses são a habitação, a saúde e a imigração.
"Acho que a Presidência, seja quem for a pessoa escolhida, deve ser um paladino dos problemas que os portugueses sentem", sustentou.
Interrogado sobre que tipo de influência é que o chefe de Estado pode ter junto do Governo acerca do rumo da Saúde, perante a uma ministra que não se demite apesar de ser alvo de várias críticas, Gouveia e Melo disse ter a sua opinião, mas rejeitou manifestá-la.
"Acho que esse tipo de problema deve ser resolvido no segredo dos gabinetes. O senhor Presidente da República, imagino, fará reuniões e terá as conversas necessárias com o senhor primeiro-ministro e é isso que deve fazer, não de forma pública, mas de forma reservada. São assuntos que interessam não só à governação, como ao próprio país e ao próprio Estado", considerou.
O ex-chefe de Estado-Maior da Armada voltou a relativizar a importância das sondagens, depois duas recentes terem apontado resultados distintos à sua candidatura.
"Quando saiu uma sondagem que não me favorecia, eu disse que as sondagens flutuam e a verdadeira sondagem é a sondagem no dia das eleições. Agora que saiu uma sondagem que me beneficia, não vou mudar de opinião", respondeu.
Gouveia e Melo disse apenas estranhar que duas sondagens "com três ou quatro dias de diferença tenham resultados tão díspares", algo que, considerou, "diz muito sobre a qualidade da nossa informação".
O almirante acrescentou que "haverá sondagens para todos os gostos, para todos os feitios" até às eleições, e que "a única sondagem que realmente interessa é a votação dos portugueses em janeiro de 2026".
Questionado sobre se será mais difícil atingir um resultado que permita ir a uma eventual segunda volta face à multiplicação de nomes afetos ao quadrante político da direita que admitem candidatar-se, Gouveia e Melo salientou que o seu posicionamento é "ao centro".
"Portanto, não me preocupa a direita partida neste momento", rematou.
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