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Correio da Manhã

Política
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Governo coloca mil jovens em empresas

O Conselho de Ministros aprovou ontem o programa de apoio à colocação de mil jovens, até aos 35 anos, diplomados nas áreas de gestão e tecnologia em Pequenas e Médias Empresas (PME), naquela que foi a primeira medida prometida pelo primeiro-ministro, José Sócrates, na noite da vitória eleitoral.
25 de Março de 2005 às 00:00
Os empresários receberam esta iniciativa como um sinal positivo do Governo em apostar no reforço da competitividade das PME, mas consideram que, dadas as dificuldades económicas, o período de apoio de um ano poderá ser insuficiente para convencer as empresas a aderirem ao programa.
Com os objectivos de “relançar a economia”, “estimular a qualificação e inovação nas empresas” e “combater o desemprego juvenil”, o programa ‘INOV-JOVEM’, custará ao Estado 10 milhões de euros por ano em comparticipações às empresas aderentes (ver caixa) e as respectivas regras de acesso serão disponibilizadas no prazo de 30 dias, segundo explicou o ministro da Presidência, Silva Pereira, no final do primeiro Conselho de Ministros realizado depois da investidura do Governo pela Assembleia da República.
Na apresentação do programa, o ministro da Economia, Manuel Pinho sublinhou que esta é apenas uma das medidas do Plano Tecnológico, que serviu de bandeira eleitoral ao PS, sendo as candidaturas possíveis a partir de Junho. Defendendo que este é um programa especialmente vocacionado para as empresas produtoras de “bens transaccionáveis”, em particular as de “exportação”, explicou ainda que não existe um limite rígido à contratação de diplomados, “entre três a cinco”, pelas empresas. E acrescentou que as PME que aderirem ao INOV terão “prioridade noutros auxílios à Inovação”, como o futuro programa PRIME.
O ministro do Trabalho e Solidariedade Social, Vieira da Silva, considerou, por seu lado, que “este é um programa simbólico”, salvaguardando que “mil jovens por ano não mudam o tecido empresarial”, que é composto por mais de 200 mil PME, mas manifestou a esperança de que “possam servir de exemplo”. Como diz António Alfaiate, administrador-executivo da Associação Industrial Portuguesa (AIP), “é preciso criar condições para que esta medida não seja uma acção pontual e para que os jovens, quando acabarem os estágios, não abandonem as empresas”. Existem cerca de 40 mil jovens licenciados no desemprego.
MODALIDADES DE APOIO
CONTRATAÇÃO
A primeira das três modalidades previstas é a de apoio à contratação directa (criação líquida de emprego).
Nesta modalidade, a empresa recebe uma comparticipação equivalente a 1,5 do salário mínimo nacional x 12 meses (num total de 6744 euros e 60 cêntimos).
ESTÁGIO
O apoio ao estágio profissional implica a atribuição de uma bolsa igual a dois salários mínimos durante 12 meses. Neste caso, o Estado comparticipa 60 por cento da bolsa (5395 euros e 68 cêntimos, num ano), além de financiar o seguro, subsídio de alojamento e transporte.
PÓS-ESTÁGIO
A última modalidade é a da contratação sem termo após o estágio. O Estado compromete-se neste caso a apoiar em 1,2 salários mínimos durante 12 meses (valor mínimo do contrato). Todas as modalidades implicam o acompanhamento regular da inserção.
REACÇÕES
EDUARDO CATROGA - GESTOR
O ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva e actual administrador da Nutrinveste não tem dúvidas que esta “é uma acção que tem um sinal positivo, independentemente da sua repercussão a curto prazo, que será muito diminuta”. Para Eduardo Catroga isto “fará com que as PME sejam mais competitivas.”
JOÃO PROENÇA - UGT
O secretário-geral da UGT frisa, desde já, que este “é um sinal positivo em termos de cumprimento das promessas da campanha eleitoral”. João Proença sublinha também que a medida “pode ser importante, se as empresas forem bem seleccionadas, para melhorar a gestão” das PME.
JOSÉ ANTÓNIO SILVA - CCP
José António Silva diz que “um ano de apoio é capaz de ser curto para que esta medida tenha sucesso”. Para o líder da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), “há um risco de os empresários, com as dificuldades que atravessam, não terem capacidade para aceder ao programa”.
ANTÓNIO ALFAIATE - AIP
Para o administrador-executivo da Associação Industrial Portuguesa (AIP), “a ideia é boa, a dificuldade é pô-la em prática”. Porque, explica, “é preciso sensibilizar as empresas para rejuvenescer os seus quadros”. António Alfaiate diz que “é um sinal positivo o Governo apostar nas PME”.
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