Secretário-geral do PS pediu ao primeiro-ministro que se concentre a resolver os problemas do País.
O secretário-geral socialista disse esta terça-feira não estar preocupado com eleições face à sua subida nas sondagens, ao contrário do "parece" acontecer com o primeiro-ministro, esperando que Luís Montenegro não queira ser responsável por outra crise política.
"A minha preocupação não é com eleições. Admito que essa seja a preocupação do primeiro-ministro desde que chegou há dois anos a funções governativas. Parece que está permanentemente preocupado com as eleições. Ele deve preocupar-se é em resolver os problemas das pessoas, porque foi para isso que ele foi eleito há dois anos", respondeu José Luís Carneiro aos jornalistas, após questionado sobre a sondagem da Intercampus, divulgada na segunda-feira, que dá o PS à frente do PSD, pelo segundo mês consecutivo.
As declarações do líder do PS foram proferidas durante uma visita à Escola Profissional Agrícola de Fermil, em Celorico de Basto, distrito de Braga, no âmbito da iniciativa Rota pelo Ensino e Formação Profissional, que levou o líder do PS a percorrer nas últimas semanas várias destas escolas do País.
José Luís Carneiro considerou que os problemas do País "são muitos", apelando a Luís Montenegro, que, na segunda-feira revelou ainda ter a maioria absoluta "na mira", para que se concentre em resolvê-los.
"Os problemas da habitação, da saúde, dos salários, da estabilidade futura dos trabalhadores, o País a enfrentar o desafio da transição digital e da inteligência artificial e temos uma clareza muito forte sobre as prioridades: entre as principais prioridades do País temos de ter a formação e o ensino profissional, porque é um esteio fundamental para a qualificação dos nossos jovens, para a qualificação dos nossos trabalhadores, para a reconversão profissional e para a estabilidade do crescimento da nossa economia", sublinhou o secretário-geral do PS.
Questionado sobre o facto de estar a subir nas últimas sondagens e Luís Montenegro a descer e se isso pode criar alguma instabilidade e abrir espaço para uma nova crise política, Carneiro lembrou que "os portugueses sabem" que o PS e ele próprio, em particular, estão "para contribuir para a estabilidade política do País e para servir o País".
"Sempre disse, desde a primeira hora, que colocaria o interesse de Portugal, o interesse das portuguesas e dos portugueses acima de quaisquer cálculos partidários. Espero que essa seja a atitude de quem está no desempenho de funções maioritárias. Porque já foi responsável pela anterior crise política e espero que não esteja a querer ser responsável por outra crise política, porque o País não aguenta estas crises consecutivas do ponto de vista político", avisou o líder do PS.
Nessa linha, José Luís Carneiro criticou Luís Montenegro por ter colocado na sua moção de estratégia à liderança do PSD o assunto das alianças.
"Aliás, não compreendo como é que o primeiro-ministro traz para a sua moção de estratégia de candidatura a questão das alianças. É algo um pouco incompreensível à luz daquilo que faz falta ao País", apontou o secretário-geral do PS.
José Luís Carneiro foi também quesitando pelos jornalistas sobre a polémica acerca do uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América na guerra com o Irão, mas escusou-se a explicar as razões que levaram o PS a assumir uma posição crítica, dizendo que "há matérias de Estado e soberania que devem ser colocadas e discutidas no local apropriado, que é na Assembleia da República".
Após insistência dos jornalistas, o secretário-geral do PS revelou que prestará mais esclarecimentos sobre a posição do PS acerca da Base das Lajes numa entrevista que dará na noite desta terça-feira.
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