Isabel Mendes Lopes referiu ainda o Governo tem-se deixado "contaminar pela extrema direita".
O Livre acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de não conseguir escolher entre um candidato presidencial de extrema-direita que admira o Presidente norte-americano, Donald Trump, e um democrata que respeita as instituições.
No segundo debate quinzenal do ano, na Assembleia da República, a co-porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes afirmou que o que resulta da primeira volta das eleições presidenciais são dois espaços políticos e não três (extrema-direita, centro e esquerda), como o primeiro-ministro tinha destacado no início do plenário e através do qual definiu o seu partido como de centro, precisamente entre Chega e PS.
"São dois espaços políticos muito claros em que está em causa: de um lado, um democrata, alguém que respeita as instituições e, do outro lado, um candidato que disse abertamente que quer acabar com o regime e que, aliás, é também aliado de Donald Trump", disse a deputada do Livre referindo-se à segunda volta das eleições presidenciais que será disputada entre o candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, e o candidato apoiado pelo Chega, André Ventura.
A deputada referiu ainda o Governo tem-se deixado "contaminar pela extrema direita" e que "há uma diluição daquilo que devia ser uma divisão clara entre a direita democrática e a extrema-direita".
Na sua intervenção Isabel Mendes Lopes criticou ainda o posicionamento internacional do Governo que diz ser "muitas vezes inexistente" em relação às ações do Presidente republicano dos Estados Unidos (EUA).
Por sua vez, Luís Montenegro acusou a esquerda parlamentar de não ter tido problemas em "contar com os votos da direita para promover aquilo que era o seu objetivo em termos de resultado".
"Portanto, para umas coisas serve, para outras coisas está fora", disse o primeiro-ministro, após elencar momentos em que a esquerda votou ao lado do Chega no parlamento "para abolir portagens, quando foi preciso haver conjugação para congelar propinas" e para "contrariar a política do Governo em sede de diminuição do IRS".
No que diz respeito ao seu endosso a um candidato presidencial, Luís Montenegro referiu que foi criticado por alguns partidos por participar na campanha eleitoral quando apoiou a candidatura de Luís Marques Mendes e que agora está a ser criticado por não participar.
"Tantas vezes, por alguns partidos representados nesta câmara, fui criticado por participar na campanha eleitoral expressando a minha convicção e agora que decidi não participar há muitos deputados que querem que eu participe, os mesmos que me criticavam por ter participado lá atrás quando eu estava por convicção", continuou.
Em resposta às críticas de inação em matéria de política externa, Luís Montenegro reafirmou que o seu Governo não prescinde dos princípios que são "essenciais à manutenção de uma ordem internacional com regras" e que garantam uma "manutenção do respeito pela soberania dos Estados e pela integralidade dos seus territórios".
"Foi isto que afirmámos em várias ocasiões, por exemplo, no que diz respeito à Gronelândia, logo no dia 23 de dezembro, depois reiterado no dia 06 de janeiro, e é isto que eu conto fazer também amanhã [quinta-feira] na reunião do Conselho Europeu, na reunião informal que teremos em Bruxelas", sublinhou.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convocou para esta quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho Europeu sobre as relações transatlânticas que justificou devido ao contexto de ameaças norte-americanas relativas à Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.
Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca e membro da NATO, que possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
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