Nas eleições presidenciais de domingo, António José Seguro, ex-secretário-geral do PS, foi o mais votado, seguido de André Ventura, presidente do Chega, com o qual irá disputar uma segunda volta.
O BE sugeriu esta quarta-feira que o presidente do PSD e primeiro-ministro optou por uma posição neutral quanto à segunda volta das presidenciais porque espera os votos do Chega para aprovar o pacote laboral no parlamento.
Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, na Assembleia da República, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, confrontou o chefe do Governo PSD/CDS-PP com esta sugestão, mas numa altura em que Luís Montenegro já não dispunha de tempo para lhe responder.
"A ministra do Trabalho disse esta manhã que o pacote laboral avançará independentemente do que aconteça na concertação social, por isso pergunto-lhe, senhor primeiro-ministro, se o seu problema em tomar uma posição na segunda volta entre um democrata e um autoritário é porque está à espera dos votos do Chega para aqui no parlamento impor o pacote laboral", questionou o deputado.
Antes, Fabian Figueiredo abordou o tema da saúde, insistindo perante o primeiro-ministro que é preciso "inverter a rota" seguida neste setor, mas Luís Montenegro considerou que o Governo está com "navegação bem certa, a obter resultados".
Nas eleições presidenciais de domingo, António José Seguro, ex-secretário-geral do PS, foi o mais votado, seguido de André Ventura, presidente do Chega, com o qual irá disputar uma segunda volta, em 08 de fevereiro.
Nessa noite, Luís Montenegro anunciou que o PSD não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais, considerando que nenhum desses dois candidatos representa o espaço do seu partido.
Quanto à saúde, Fabian Figueiredo comparou a governação atual à "viagem interminável" de Fernão de Magalhães no Pacífico "que lhe custou quase toda a tripulação", por "um erro de perceção", acusando Luís Montenegro de negar os problemas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"No SNS temos a dureza dos factos com que os utentes se confrontam todos os dias: urgências fechadas, listas de espera intermináveis, falta de médicos de família, ambulâncias que não chegam a tempo, profissionais de saúde exaustos, medicamentos caros", referiu.
O deputado do BE pediu ao primeiro-ministro se para "abandonar um plano que mete água todos os dias, mudar de rota, deixar para lá a senhora ministra da Saúde e garantir de uma vez por todas que os portugueses têm saúde a tempo e horas".
"Apesar de todas as vicissitudes, não seria mal se o registar da história pusesse este período ao nível daquele que foi realizado por Fernão de Magalhães", comentou Luís Montenegro, na resposta.
Depois, o chefe do Governo afirmou que reconhece os problemas que existem no SNS, mas contesta que haja "caos generalizado".
Montenegro reivindicou melhorias no "tempo de resposta" e indicou dados do aumento de chamadas atendidas na linha SNS24, para concluir: "É com realizações destas que nós estamos na posse dos elementos, com a nossa navegação bem certa a obter resultados".
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