Grupo de Coordenação Local do Núcleo Territorial Municipal de Coimbra do Livre "reprova a forma como esta situação foi conduzida pela presidência" da câmara.
O Livre em Coimbra, que integrou a coligação que elegeu Ana Abrunhosa para a presidência da câmara local, demarcou-se esta terça-feira das acusações que a autarca fez a um jornalista da Lusa e pediu "um plano detalhado" para a Casa do Cinema.
Em comunicado, o Grupo de Coordenação Local do Núcleo Territorial Municipal de Coimbra do Livre "reprova a forma como esta situação foi conduzida pela presidência" da câmara, referindo-se às declarações públicas de Ana Abrunhosa sobre o jornalista João Gaspar, ao serviço da Lusa.
Na última reunião de câmara, a autarca socialista acusou João Gaspar de ter cometido "uma falha deontológica" e de ter "uma agenda política", na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista dava conta de que o espaço está em risco de perder a licença porque a autarquia não avança com o plano de reabilitação acordado.
Nesse texto, o jornalista indica que questionou o executivo municipal, que, nove dias depois, ainda não havia respondido.
"O exercício de cargos públicos exige contenção, sentido institucional e respeito pelo papel da comunicação social", assinala o Livre, que integrou a coligação "Avançar Coimbra", juntamente com PS e PAN, notando que a reação de Ana Abrunhosa "não contribuiu para um debate esclarecido nem para a resolução dos problemas em causa", concretamente o risco de a Casa do Cinema perder a licença.
Pelo contrário, o que a autarca conseguiu foi "desviar a atenção do essencial: o futuro da Casa do Cinema", para a qual, "até ao momento, não foi apresentada uma solução clara", denuncia o Livre, pedindo ao executivo camarário "que apresente, com urgência, um plano detalhado para este espaço, com prazos e garantias de funcionamento futuro".
O equipamento cultural funciona atualmente sob "constrangimentos técnicos", existindo "a necessidade de intervenção, mas continuam por esclarecer o plano, o calendário e as garantias de continuidade" por parte do executivo camarário, aponta.
"Num contexto de crescente concentração da oferta em circuitos comerciais, este tipo de equipamento não é acessório - é estrutural", vinca o grupo local do partido co-liderado por Isabel Mendes Lopes e Rui Tavares, alertando para "a perda de um ecossistema cultural que levou anos a construir".
Manifestando "preocupação com a situação", o Livre realça que o espaço cultural em causa "desempenha um papel insubstituível na promoção do cinema (...), contribuindo para a diversidade cultural e para a formação de públicos".
As declarações de Ana Abrunhosa motivaram a condenação de outras forças políticas, nomeadamente BE, IL, PCP, Movimento Somos Coimbra e também o PS, que já se demarcou da atitude da autarca.
A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e o Sindicato dos Jornalistas, bem como o conselho de administração, a direção de informação, o conselho de redação e a comissão de trabalhadores da Lusa emitiram comunicados repudiando "o comportamento antidemocrático" de Ana Abrunhosa.
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