Marques Mendes convidou o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, para encabeçar a sua lista ao Conselho Nacional (CN), apurou o CM. Trata-se de um sinal claro de apoio ao PSD da Madeira nas próximas eleições regionais. O arranque do XXIX Congresso do partido ficou marcado pelo atraso de mais de uma hora no início dos trabalhos.
Mendes, que na sua moção dedica um capítulo inteiro às autonomias, decidiu também colocar em número dois da lista ao CN, Carlos Costa Neves, o líder do PSD dos Açores. O CM apurou ainda que Manuela Ferreira Leite vai continuar na presidência da Mesa do Congresso, assim como Guilherme Silva no Conselho de Jurisdição Nacional.
No discurso Marques Mendes fez uma surpresa aos delegados. Anunciou, em pleno congresso a filiação no PSD de Macedo Vieira, presidente da Câmara da Póvoa de Varzim. E adiantou ainda o início do processo de revisão do Programa do PSD, que há 16 anos não era revisto.
Numa reunião-magna a meio gás, Mendes disse que o Governo iria aumentar outra vez os impostos em 2002. Aliás, segundo o líder do PSD, “os dois pilares da política governativa é aumentar impostos e anunciar megainvestimentos públicos.” “O que se passa com o imposto sobre os combustíveis é mesmo escandaloso”, acrescentou. Para Mendes, o Governo não cumpre a maioria das promessas e alerta o País, dizendo que o Governo “vai falhar mais uma promessa”e vai recorrer a receitas extraordinárias para equilibrar o défice”.
Foi o presidente da distrital do PSD-Porto a inaugurar o congresso: Agostinho Branquinho abriu as hostilidades contra o Governo, acusando-o de “centralista e jacobino”. Segundo disse, o Executivo de José Sócrates “tem demonstrado uma enorme hostilidade em relação ao distrito do Porto e à Região Norte”.
Para Mendes, o Governo trata Portugal de forma desigual e não está preocupado com as disparidades regionais”. O líder do PSD-Porto deu um exemplo da desatenção do Governo em relação ao Norte: “Temos cerca de metade dos desempregados do todo nacional.”
À chegada, Luís Filipe Menezes deu o tom do que seria este conclave: “É mais para cimentar toda uma lógica de pluralismo interno, a que, normalmente, o PSD obedece.” E deu como exemplo as listas para o CN e CJN. Sobre a Comissão Política disse esperar que “haja alguma equidade e qualidade que o partido precisa”. Menezes terá na sua lista ao CN Mendes Bota, Helena Lopes da Costa, Ministro dos Santos, Telmo Faria e Vasco Garcia.
O PRIMEIRO A CHEGAR
O secretário-geral do PSD foi o primeiro dirigente nacional do PSD a chegar ao Pavilhão Municipal da Póvoa de Varzim. Às 16h30, duas horas e meia antes da abertura oficial dos trabalhos, já Miguel Macedo ‘inspeccionava’ o palco onde o líder iria discursar.
Segundo apurou o CM, Macedo veio para a Póvoa de Varzim na quinta-feira para preparar o terreno e negociar nomes para as listas que vão a votos amanhã. Ontem sentou-se lado a lado com o presidente da distrital do Porto, Agostinho Branquinho.
FILIAÇÃO EM CONGRESSO
Macedo Vieira, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, independente, mas eleito pelas listas do PSD, foi o protagonista da noite ao ter aceite o convite de Marques Mendes para se filiar no partido. “Numa altura em que muitos me viraram as costas, ele esteve sempre comigo”, lembrou o autarca para justificar o ‘sim’ ao repto de Mendes.
BARREIRAS DUARTE
Feliciano Barreiras Duarte não foi à Póvoa de Varzim, por razões familiares. A sua filha, de meses, foi operada e precisava do pai.
PEDRO SANTANA LOPES
Santana Lopes não esteve no último congresso de debate sobre os estatutos. Prometeu “andar por aí”, mas não foi à Póvoa.
BUSTO DE REGRESSO
O busto do fundador do PPD/PSD, Sá Carneiro, voltou aos congressos do partido, depois da ausência em Lisboa.
RUI RIO
O autarca do Porto foi uma das ausências mais notadas no congresso. Segundo apurou o CM, Rui Rio está no estrangeiro.
"REARRANCAR PARA NOVA FASE" (Paula Teixeira da Cruz, vice-presidente)
Correio da Manhã – Este congresso é um ponto de viragem?
Paula Teixeira da Cruz – Pode trazer de novo algumas questões que são estruturais. A primeira é a própria legitimação dos demais órgãos nacionais. E é importante que se sublinhe isso. A segunda questão que penso que este congresso vai trazer é o rearrancar para uma nova fase, sobretudo numa altura em que o PSD é o primeiro partido a assumir claramente que é preciso reencontrar a cidadania.
– Essa atitude trará também uma nova forma de fazer oposição?
– O combate ao Governo do PS tem sido feito e de forma responsável. Recordo que o PSD foi o primeiro partido da oposição a propor pactos de regime, o que não é muito simpático para um partido que está na oposição. Esta forma de ser e de estar já foi iniciada.
– O líder do PSD deve apresentar propostas concretas?
– Um partido de oposição faz oposição, não governa. O PSD, nas áreas em que propôs pactos de regime, tem vindo a apresentar as suas soluções alternativas.
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