Fernando Alexandre admitiu que as notas dos exames nacionais do ensino secundário poderiam não ser afixadas esta sexta-feira, se ainda houvesse provas por classificar.
O ministro da Educação está esta sexta-feira no parlamento para um debate de urgência sobre os problemas na classificação dos exames nacionais marcado pelo PCP, no dia para o qual foi adiada a afixação das notas.
Na véspera, de manhã, o ministro Fernando Alexandre admitiu que as notas dos exames nacionais do ensino secundário poderiam não ser afixadas esta sexta-feira, se ainda houvesse provas por classificar, referindo que faltavam corrigir menos de 1% de respostas.
Porém, ao final do dia, depois do debate sobre o estado da nação, no Parlamento, o governante manifestou-se confiante de que todas as notas dos exames nacionais do ensino secundário serão publicadas esta sexta-feira à tarde. "Vai acontecer", afirmou.
À Lusa, fonte oficial do Ministério da Educação indicou que o Governo estará representado neste debate por Fernando Alexandre e pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo.
Este debate de urgência será aberto pelo PCP, que, como partido que fixou o tema da discussão, tem direito a uma intervenção de no máximo seis minutos, e terá uma duração de cerca de 50 minutos.
No debate do estado da nação, na quinta-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não referiu o assunto na intervenção de abertura de cerca de meia hora, porém, nas respostas às críticas da oposição, admitiu que "nem tudo correu bem" com a correção dos exames nacionais. No entanto, negou qualquer "caos" neste processo.
"Não há nenhum caos nos exames em Portugal, lamento dizer. Não há um caos, há problemas, que nós gostaríamos que não existissem, é verdade", afirmou Montenegro, depois de a co-porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes ter instado o chefe do executivo a pedir desculpa a estudantes e comunidade escolar.
Neste debate, o PS juntou-se aos partidos que pedem a demissão do governante, com o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, a defender que Fernando Alexandre não devia ser ministro da Educação tendo em conta "a barafunda" que o partido considera estar instalada nos exames nacionais.
No sequência desta posição de Brilhante Dias, o deputado do PSD Alexandre Poço saiu em defesa do ministro da Educação numa intervenção que terminou com uma ovação ao ministro por parte partidos que suportam o Governo.
"Senhor ministro, neste momento em que o país está a assistir a um empolamento político sem limites em torno de um tema sério, aquilo que gostava de destacar nesta última intervenção do Grupo Parlamentar do PSD é o seguinte: nós não estaríamos com o ministro da Educação se ele não trabalhasse", enfatizou.
No requerimento entregue na Assembleia da República para agendar este debate, o PCP exigia apresença do ministro no Parlamento para explicar quais as medidas adotadas "para assegurar que nenhum estudante é prejudicado neste processo caótico de avaliação dos exames nacionais, cujos responsáveis são o Ministério e o Governo".
O debate foi marcado depois de o ministro da Educação ter-se disponibilizado a responder numa audição parlamentar apenas na próxima sexta-feira, dia 21, uma data que os comunistas consideraram "inconcebível" e uma tentativa de fugir às explicações necessárias, exigindo que o governante respondesse aos deputados já esta semana.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser corrigidos em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o ministério adiou os prazos inicialmente previstos.
Ao longo de três semanas, os professores relataram atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das respostas e dificuldades na plataforma de classificação.
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